UM eu NÓS




Vou tentar explicar isso, e essa será a primeira vez. Estou sozinho agora, mas não é sempre assim. Estou vendo o mundo pela lente redonda dos meus óculos, mas nem sempre é assim. Na minha adolescência lembro ter lido um livro do Paulo Coelho, no qual ele dizia que podemos ter mais almas gêmeas. Na implosão da morte e na eclosão da vida, o fluxo espiritual - que podemos chamar de alma, pode se dividir e dar sopro a mais de um ser. Não por acaso encontramos pessoas com as quais estabelecemos uma conexão intensa. Às vezes, quando minha respiração está tranquila e consigo imergir em um ambiente mental disruptivo, eu sinto. Sensações no intervalo de uma música, acompanhadas com um bem estar e uma alegria, que eu tentaria descrever como simples, uma alegria simples. Confesso que minha pele arrepia e meu corpo muda e excede, o mundo está calmo e o tempo está adequado à minha vida. No intervalo de uma música não há dor, nem solidão, nem dúvida, nem dinheiro, nem fome, nem miopia, nem indecisão. Agora que estou sozinho com minha razão, poderia dizer que procuro um rosto nessas ocasiões, procuro um endereço ou sei lá. Mas é mentira. Não procuro nada e nem consigo querer saber. É como se eu já conhecesse, estivesse ligado de tal maneira que saber do rosto seria irrelevante. Existe um tempo, um espaço, onde nós nos encontramos. Nós nos encontramos em liberdade.

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