Historicamente Nú.

 
 
Preciso falar outra língua pra funcionar os dois lados do meu cérebro. De certo que tenho algum benefício com esse feito, pelo menos pediria direito o croissant com milkshake. Então pego minhas malas cheias de compromissos e trato de preenchê-las com roupas de verão. A sunga ocupa pouco espaço,  mas o que importa é a passagem, o que importa é o lugar e há os que dizem ser importante a companhia, acho que vale ter uma grana frouxa e um destino inusitado e qualquer cenário é perfeito. Vamos conversar, a gente precisa casar pra não romper os ritos e expor a honra que os grilos prezam manter. Oh meu deus, será que até ateu casaria se estivesse apaixonado? Seria católico ou protestante de uma nova religião que é o amor, quem seria seu deus? Seria uma divindade feminina com cartões de crédito e novalginas? Já tirei todo peso inútil das malas e falta minha gravata de seda e dois outros itens para sobrevivência ilimitada: o silêncio e uma parada no tempo. Ouço vozes ou será o latido do cão, qual será minha deusa e minha religião, vou pra onde que não hajam os mesmos problemas de onde estou? (16.12.14 / 20:02)
 
É um trajeto escolhido aleatoriamente, poderia ser qualquer outro, mas a gente escolheu e seguiu. São muitas as pessoas que cruzam nossa rota e fazem nossa vida ser melhor, mas não há um contrato a ser estabelecido, a gente fica namorados ou amigos e talvez a gente tenha que seguir logo mais. Mania das pessoas de construírem pontes indestrutíveis, algemarem o vento como se todo pacto fosse eterno. Acho que não há nada na vida mais apreciável que a transitoriedade, acho que um pássaro reconhece uma rajada de ar quente e fica livre pra subir mais no seu voo. Disseram-me que além dos impostos, não há nada que possa me acompanhar por toda vida. (23.12.14 / 12:22)
 
Ah esses números:
pessoas inteiras 
reduzidas em quartos
resolvidas por meios
rezumidas em dizimas
periódicas ou Pi.
 
(23.12.14 / 12:26)
 
Dançar dois pra lá e dois pra cá como se fosse, ao invés de rock, uma música romântica.
(14.2.15 / 2:16 - Galera's Rock Bar)
 
Gosto do silêncio, por que às vezes essas vozes todas suprimem o som da música e neblinam nossos pensamentos.  O gosto do café tende a ser mais vivido se o estalado da língua puder ser ouvido.  Aprecio história em uma cafeteria e explicações geodésicas sobre o fim dos tempos. Faço planos: era ontem que assistia a sessão da tarde e comia guloseimas depois de estudar para a prova de português. O engraçado é que não há pausa, tanto do mundo que desconheço, tanto da vida a ser provado que até penso que o tempo, ainda que bem aproveitado, desfavorece a pressa de ser avante.
Só o expresso me convence que esse minuto resume tudo que já fiz por mim. (25.1.15 / 17:25)
 
Zoloft (30.1.15 / 10:08)
 
A parede branca como a bruma de Drummond que de repente você tenha lido. Reservado e proibido são meus tormentos: esse excesso de restrição que desapropria a criatividade e seus impulsos. (29.6.15 / 13:09)
 
Sou um subproduto das escolhas que fiz, é difícil saber quando estamos no rumo correto, mas de alguma maneira sentimos se estamos gastando o tempo do jeito certo. Se você não tomar conta de si próprio, se você não fizer a escolha pela sua própria vontade, alguém o fara. Não podemos abrir mão da responsabilidade de sermos o que somos, os fundamentos estão definidos, basta assumir as consequências. Está aí nosso maior desafio, assumir que nossos atos refletem no mundo que construímos e, por vezes, destroem-no. A dor que causamos dói como se fosse nossa, daí que surge ter coragem e audácia, você precisa disso como se fosse o último recurso de sobrevida existente. (21.6.16 / 14:13)
 
 
 

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