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Mostrando postagens de Junho, 2016

Vou indo, Maria

Outra pausa. E ela continua a contar das crises no seu relacionamento embrionário natimorto, esperando que um pseudo médico pudesse entregar uma cura que nem mesmo a psicologia conjugal havia descoberto.  Uma coca zero e um bolo de doce de leite, diz. Para mim uma torta fria e um expresso pequeno. Uma pausa de uma garfada. E o que aconteceu que você me chamou hoje? Questiono logo já que não tenho predileção por problemas que não posso solucionar. Precisava conversar, precisava estar perto de um amigo. Ela havia ficado dois meses em Florianópolis e agora irrompeu a paz de meu casulo para contar seus desatinos, eu previa isso e já estava arrependido de ter vindo. Estou disposto a não ouvi-la, estou apto a dispor de sua ausência. Vou levantar e antes que a borra apareça no fundo da xícara, estarei na porta. Vou indo, Maria. Se ela não fosse dele também não seria minha, se ela não fosse uma pausa, seria uma consequência intensamente amigável.

Sakurá anã branca

O tempo de ser precoce reconhece o tempo de estar em si, se eu fosse uma árvore quanto tempo eu teria? Se podarem meus galhos e tirarem a casca do meu tronco, se esquecerem meu sol, minha água, meu vento, minha sombra, meu nome, pra onde correriam as minhas raízes fincadas no solo que me forneceram? Eu conviveria com pedras, suportaria o frio da noite e pausaria a vórtice dos meus ciclos, se eu fosse uma árvore quem seriam os meus inimigos? As formigas que me caminham, os pássaros que cagam? Ah, trata-se das flores? Então toma que são tuas, posso florir precoce porque a minha explosão ainda fascina. Se eu fosse uma árvore, de que tipo eu seria?

Sal

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Então vieste sem que eu entendesse, e explicaste o que sou. Não fossem os fatos, não fosse o clima outonal, as flores e os frutos cítricos da estação, estaríamos felizmente ilhados em nosso descabimento amoroso. Não fossem os outros, não fosse minha própria incapacidade de ferir o trópico de câncer com o traço do equador, se não fossem minhas longitudes, teríamos um lugar na esperança de sermos o que desejávamos ser. Agora assombram dúvidas que outrora sequer pareciam capazes de uma existência real, puseste uma pitada de sal e ardor na minha língua para que eu provasse prazer com amor e sentisse a ânsia de viver uma vontade pura e própria. Salve-me a terapia já que desde sempre tenho criado problemas por mim mesmo. Não preciso de aliados, já que não bastariam sugestões insolúveis quando teus olhos avançam os meus por através de minhas lentes sujas e de meus argumentos inválidos. Retornaste do teu exílio enquanto perdia minha identidade e razões de ser. Tuas garrafas de vinho e os cigarr…