50 pesos chilenos


As coisas têm estado tumultuadas, afastei-me das letras, das palavras, das frases da minha filosofia incontínua e nebulosa, mas de fato nada mudou, nem um milímetro de mim. Tenho absoluta certeza que as pessoas nascem e morrem iguais, somos agregados pelo caminho com dúvidas, experiências, tecido adiposo, e, celulite - como diria Gabriele -, porém a dose do sorriso não muda o motivo de sorrir. Sou pequeno, cheio de preceitos imperfeitos de fé, amor e glória. Desse jeito me toma por vezes uma vontade estranha de emocionar, por vezes um impulso indescritível de adrenalina que deturpa todo meu senso de discernimento social, por vezes tenho preguiça de erguer o braço, e prossigo esperando que a pessoa com a qual estou conversando me pergunte o sentido da vida, que me pergunte qualquer coisa. Preciso mesmo de emoção, de magia, arte, preciso que olhem nos meus olhos e avisem que posso ter calma, que posso respirar fundo, indiquem uma praia, uma receita, um suco e me contem uma piada. Preciso de gente na minha vida, gente estranha. A vida é um filete d'água, é o som do sino dos ventos na janela, a terra que entrou debaixo da unha enquanto as margaridas estavam sendo plantadas, talvez seja também essa saudade que não morre nunca, talvez seja o pé gelado, o chimarrão na sacada e o saquinho de amendoim japonês.


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