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Mostrando postagens de Janeiro, 2013
Estreita é a alma desfeita do carma que não cumpriu. O café sempre acaba, porque o café acaba, meu Deus? Onde armazenaram os grãos, que não no meu armário de coisas vitais? O papel higiênico sempre acaba, afinal porque o rolo não é infinito, igual a esperança que tem o maldito pobre de ficar rico? Teu nome de artista e tuas coxas satânicas. Onde colocaste meu baseado, como pudeste manjar minha torta fria e descongelar meu freezer frost-free? Não leia no meu beijo concessão de liberdade provisória. Mantenha-se retórica longe de minhas verdades. Perdi teu signo no meio de meus livros e encontrei minha razão na fumaça do desodorante, vejo energias positivas nas bolas de vidro sobre a escrivaninha. Use lápis e papel, mantenha seu batom longe de meus espelhos.

50 pesos chilenos

As coisas têm estado tumultuadas, afastei-me das letras, das palavras, das frases da minha filosofia incontínua e nebulosa, mas de fato nada mudou, nem um milímetro de mim. Tenho absoluta certeza que as pessoas nascem e morrem iguais, somos agregados pelo caminho com dúvidas, experiências, tecido adiposo, e, celulite - como diria Gabriele -, porém a dose do sorriso não muda o motivo de sorrir. Sou pequeno, cheio de preceitos imperfeitos de fé, amor e glória. Desse jeito me toma por vezes uma vontade estranha de emocionar, por vezes um impulso indescritível de adrenalina que deturpa todo meu senso de discernimento social, por vezes tenho preguiça de erguer o braço, e prossigo esperando que a pessoa com a qual estou conversando me pergunte o sentido da vida, que me pergunte qualquer coisa. Preciso mesmo de emoção, de magia, arte, preciso que olhem nos meus olhos e avisem que posso ter calma, que posso respirar fundo, indiquem uma praia, uma receita, um suco e me contem uma piada. Precis…
A sorte é um tom agudo que não serve ao timbre sensível de nossos ouvidos. Temos a indisponibilidade do tempo que foi feito eterno quando vivido, mas agora esvai-se na lembrança pelo rito comum do fim. É raro tudo que recebe vida, sangrando dor que não mata vibrando cor que não desbota.
Somos apenas um fiapo de permanência.

negro tempo de prata

Merreca o tempo usado em prazer e toda eternidade de trabalho forçado. Tem gente que já nasce escravo e vive com o lombo açoitado. Sou raça que faz a terra tremer, que rasga o campo e faz o fogo nascer. Hoje é o contemporâneo, e não há quem não se sinta esmagado, submetido e mandado. Sinhô e trabalhador são homens sorridentes sem cor nem sabor resguardando um tanto de cobiça e a grande ira de não ter o tudo que muito valha. Se escondem nos automóveis, investem, convencem, gritam convictos,
andam pelos andares, mas sempre buscarão
um tal refúgio Palmares.