Clara Inocência Fagundes

Acusaram-te.
Sequer pediram tua razão ou
vontade, agora reprimida.
Intumesceram teu sexo,
regozijaram teus dias e
prenderam-te solitária, por fim.
O cárcere vigiado pela culpa
é abrigo perpétuo dos 
instintos inconsequêntes
quiçá reparados pelo tempo.
Transformaram teu afeto em peças 
de memória longínqua,
criaram agonia
e rebelaram tua ira
contra o mundo que 
das tuas infelicidades mal sabia.
Então, como quem supera
os acidentes no relevo da vida,
prosseguiste ungida de esperança
posta à frente com vestido e tranças,
disposta a tentativas e revanches
a fim de tornar-se nova mulher ou
para todo sempre
criança.

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