"napoletana"

Acordei e a vi pela janela na rua de paralelepípedos cinza, seus cabelos esvoaçavam ligeiramente enquanto já ia entrando no carro. Ainda de cuecas e rosto amassado, estiquei o lençol e ajeitei os travesseiros. Vesti as calças, um moletom e deixei a cafeteira exalando o cheiro de café enquanto buscava pães na venda da esquina. Bati a porta, desci e subi as escadas rangentes, depois catei um livro velho na estante, sentei-me na poltrona e o mantive fechado nas mãos, não desejava história alguma. Queria uma presença permanente, não o rastro do escapamento de um carro desaparecendo no horizonte, ainda tenho planos de ter um apartamento e não trabalhar, ser um vadio, artisticamente iludido de que minha esperança e vida é arte pura rumo da felicidade. Palavra e pincel, quadros e livros. Abriria a porta quando voltasses ao fim do dia, sentaríamos à cobertura desse prédio de uma pouco movimentada via tradicional italiana, e beberíamos do nosso afeto enquanto o sol desabava vagarosamente por detrás das construções.

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