Impróprio


Abriste as pernas e me engoliste com uma fome perversa da qual não desejei insaciar. Teus membros me abraçaram junto ao teu corpo com a força de todo prazer que o amor pode regar em suor. Atinei escrever na tua pele minha presença, cravando as unhas agressivamente ao longo das tuas costas, gemeste titubeando esbofetear-me, porém antes precisavas do meu beijo molhado para saudar teu corpo alvoroçado pelos gozosos vícios humanos. 
Esqueceste do sincronismo dos movimentos, te perdeste do ritmo, descompassadamente golpeava-me, sim, pareciam golpes na ira expressa facialmente, uma ânsia, uma necessidade quase animal, me reviravas sem pragmatismo, conforme roteiro de improviso próprio. Sabíamos o final, claro, todos sabem como isso acaba, poucos sabem que muito se sabe dos fins, mas muito vale a carne marcada, a vela queimada na noite de quarta, fazer do meio o trajeto certeiro do ereto arqueiro.

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