Sanduíche rápido de análises naturais

Provavelmente se dissecassem todo o teor da minha mente, haveriam dois ou três trechos de músicas, um jardim de margaridas, alguns poemas particulares, cenas pornográficas de amor cúmplice, risos intensos que fariam chorar e uma imensidão branca de paz indefinida. Acho que haveria um tanto de maldade, naquele quarto sem janelas, mas nada que fizesse muito espanto. 
Bem, tudo isso pra dizer que o ser humano tem sim um perfil constante, aquela velha historia histórica do Rosseau de que todo homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe - aqui meio deslocada da conjuntura. Eu acho mesmo que de modo geral a bondade predomine e seja uma constante comum nas pessoas, contudo esse mundo globalizado capitalista nos ensina que o que faz a diferença é o diferente. Quero dizer que se em um estado de influência externa não adversa o individuo age normalmente com benevolência e calma, o que nos importa efetivamente é o estado psicológico de caos e a influência externa opressora e estressante. Entendo que só podemos saber realmente o que há no subconsciente de uma pessoa - o que ela é de verdade -, quando o seu consciente não consegue processar e definir com clareza as variáveis do ambiente e as conseqüências de sua ação. 
De forma prática digo que é fácil, e até ideal, ser bom e caridoso quando todo nosso contexto social é confortável, mas uma pessoa realmente boa conserva essas qualidades quando se vê oprimida pela falta de dinheiro, pela perda do pai, pela amputação de suas pernas. Talvez seja mesmo insensível comentar essas conclusões desse modo, mas vale mesmo a reflexão àqueles que adentram o desespero: como você tem agido quando tudo parece ir mal? Acredito que às vezes nós precisamos adestrar nosso modo de encarar as coisas, precisamos nutrir as compreensões que possuímos com tudo aquilo que vivemos. 

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