Mas incólume.

Garoa mansa de inverno que tomba na terra encharcada da ponta inferior deste país tropical. Bailanta franca de uma gaita envergada que confunde os pés casais de quem dança pela arte de sincronizar-se. No meu rincão a festa não disputa o espaço que é seu por direito, no meu terreiro macumba não fecha com pacto de maldade, sou de toda cruza, branco e caboclo, imune, escopo à paz, ajudo no brilho da pintura fosca que faz a arte de ser do bem.
Sou do povo nômade que o rio manda pra longe de tempos em tempos, o tipo de piá que levanta o móvel na esperança de salvar o que o suor dos seus conquistou. Aprendi a escolha e a perda, quando percebi toda força do corpo esvaindo-se, entendi o descaso necessário para com tudo que é anexo, nada se leva verdadeiramente a lugar algum além de si próprio e toda fé e emoção que se pode criar e conservar.
Agora se tem o lodo, o barro, os galhos e toda imundice que fica de uma sociedade porca, eu recolho sem pressa, como se posto de joelhos a lavar os calcanhares dos errados: humilde santo oco de misericórdia.
Revoltoso, justiceiro, criança e leigo por esquecimento, no dia cinza de nuvens densas revivo erguendo-me dos mares negros: Leviatã! 

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