à beira

Um quadro torto na parede e a carta úmida na gaveta. Logo virá setembro, mas as margaridas floriram no passado do tempo do meu imaculado verbo amar. Não inspiro mais poesia, não há fila no banco e lá estou eu sentado, sem teu rosto são meus olhos que se abrem e acusam o sorriso de quem passa. Na beira do lago sou longe, sou vago, ao lado teu não há colo, sem paradeiro certo, tenho o cheiro, o cabelo, a lembrança do que é meigo e o gosto ligeiro do que já passou. Mas sou vivo, sou carma longo de qualquer coisa que evolua. Afeto e protesto de ver com perfeição o detalhe do sempre.

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