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Mostrando postagens de Julho, 2011

Mas incólume.

Garoa mansa de inverno que tomba na terra encharcada da ponta inferior deste país tropical. Bailanta franca de uma gaita envergada que confunde os pés casais de quem dança pela arte de sincronizar-se. No meu rincão a festa não disputa o espaço que é seu por direito, no meu terreiro macumba não fecha com pacto de maldade, sou de toda cruza, branco e caboclo, imune, escopo à paz, ajudo no brilho da pintura fosca que faz a arte de ser do bem. Sou do povo nômade que o rio manda pra longe de tempos em tempos, o tipo de piá que levanta o móvel na esperança de salvar o que o suor dos seus conquistou. Aprendi a escolha e a perda, quando percebi toda força do corpo esvaindo-se, entendi o descaso necessário para com tudo que é anexo, nada se leva verdadeiramente a lugar algum além de si próprio e toda fé e emoção que se pode criar e conservar. Agora se tem o lodo, o barro, os galhos e toda imundice que fica de uma sociedade porca, eu recolho sem pressa, como se posto de joelhos a lavar os calcan…

à beira

Um quadro torto na parede e a carta úmida na gaveta. Logo virá setembro, mas as margaridas floriram no passado do tempo do meu imaculado verbo amar. Não inspiro mais poesia, não há fila no banco e lá estou eu sentado, sem teu rosto são meus olhos que se abrem e acusam o sorriso de quem passa. Na beira do lago sou longe, sou vago, ao lado teu não há colo, sem paradeiro certo, tenho o cheiro, o cabelo, a lembrança do que é meigo e o gosto ligeiro do que já passou. Mas sou vivo, sou carma longo de qualquer coisa que evolua. Afeto e protesto de ver com perfeição o detalhe do sempre.