Amélia

Sou o aviso fúnebre em época de carnaval à maldita fé que aquela mulher havia assassinado no quintal da temperança, no subsolo do desânimo, a dois quarteirões da sala do prazer. Não fui muito mais que esperança, nem excedi os contornos da lógica, não era atômico poderoso ou proprietário de quitanda, fui tão somente o marco-fim de um trajeto curto, uma absurda eloqüência de discurso apaixonante.

Tomou nas mãos um copo de suco de laranja azeda e esperou aquele vento quente e vadio eriçar os pelos no couro do sofá, viu-o embalar pelo chão áspero as pétalas da flor que a chuva da manhã derrubara e torcia pela ressurreição de um sol apto a pintar o bronze nas suas coxas tomadas de receio, dúvida e frio.

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