I see you.

Eu te escolhi com a minha alma. Não me deixe esquecer isso. Que não haja dor, medo nem sentimento algum que anule a possibilidade infinita de ver um no outro a intenção mais pura de seu coração. Que a matéria se desfaça, que o rádio se parta, que a música termine, que o carro quebre, que o dinheiro acabe - e nem importe, que a comida falte, que a sede surja e que o universo padeça.
As almas,
nunca
morrem.
Eu não tenho igreja, não tenho cor, não tenho vícios e peço cachorro quente completo. Leio livros e sinto um prazer ainda maior em comprá-los, medito não periodicamente, ando descalço, não compro jornal pela manchete, já fiz teatro e bancos com madeira velha. Minha grafia é variável e não legível, minha visão é nítida, meus sentidos são atentos, ainda com o déficit de atenção, sofro de dores lombares com longos períodos em pé. Sou razoavelmente indeciso em assuntos cotidianos de pequena importância, mas abnego alteração de postura quando uma opinião ganha certeza em mim, meu Índice de Massa Corpórea é 19.37, meu calçado é 39/40, minha calça não social é normalmente 36, gosto do laranja e azul, objetos circunferentes e incensos japoneses. Faço planos constantemente,  tenho um pequeno pato simpático e resmunguento chamado Tinho, gosto de presentear plantas e, aliás, espero pelo dia em que vou estar pronto para cultivar um bonsai. Quero um labrador bobão e destruidor, um filho de olhos claros e pelo menos três minutos toda noite pra escutar o coração de quem eu amo batendo ao meu lado.

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