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Mostrando postagens de 2011

amor imenso da minha vida infinita

"Eu me sinto superior contigo, não acima dos outros ou coisa do gênero, mas em um nível espiritual superior. Não é algo que provenha tão somente de ti isso, mas do fato de estarmos JUNTOS, entende?"
E se nós não pudéssemos nos ver, se por alguma razão ficássemos longe um do outro? Se deixássemos de nos olhar por anos, se alguma coisa levasse um de nós a outro continente? Se estivéssemos afastados em uma grande dor, e se fizéssemos escolhas erradas, e se nos desencontrássemos do próximo minuto pressagiado?
Aniversário é um por ano, bolo e aquela coisa toda, preciso estar menstruada? Colorado fez falta na pequena área. Bocejo enquanto o garçom me serve vinho pela segunda vez. Braços torneados e um sorriso torto no rosto, um perfeito idiota com um provável cérebro de ervilha, aliás, odeio ervilha, milho e essas coisas enlatadas que enfiam na minha comida. Vim para jantar, este não é meu restaurante predileto, eu não tenho um que seja, escolhi por fazer algo diferente e incrementar alguma emoção quando estiver contando no próximo dia útil aos colegas o que fiz na festa dos meus trinta e poucos muitos anos. Não precisava haver esse enjôo, mas grávida não estou, a menos que o espírito santo tenha abusado do meu corpo nas ultimas noites de sono que realmente foram ruins. Tudo bem, não estou dizendo que o espírito santo é ruim de cama, mas tenho sofrido com uma insônia persistente...veja bem o que já estou dizendo!
Cruzei as pernas e descansei a coluna no encosto da cadeira, deixei de lado meus livros. É engraçado que quando menino buscava livros pequenos com histórias atraentes, agora me vejo rodeado de obras com páginas infindas, vocabulário rebuscado, e, de certa forma, até me sinto atraído por esses títulos mais densos. Não vejo fantasmas, desconheço o rumo dessa encarnação, não toco banjo nem canto samba. É tão gostoso ser leigo de todo futuro, não saber onde as coisas findam ou por qual razão acontecem, eu ainda acredito que há um grande ensinamento em tudo isso que não posso entender e que ninguém consegue explicar. O ventilador faz um som estranho e logo serão cinco anos. Tudo surge e adormece com uma rapidez desproporcional ao tempo que suas conseqüências permanecem. Uma folha de palmeira fica bem na foto, quem sabe um lago, quem sabe uma nova cena pra essa história? Bobagem. O desapego é a mais nova tática de sobrevivência humana, talvez um reaparecimento dos ideários franceses que su…

Oferenda ao deus da incerteza

(Publicação de escrito antigo, não confere em nenhum quesito com a realidade atual) 
É fim e não à toa aparece no término do ano. Tão explícito e compreensível que eu pude entender completamente a quem pertencia a culpa. Culpa não, isso é só pra tornar a conjuntura mais dramática na minha prática de protagonista. Mas vai, nunca tive problemas em enfrentar esse tipo de coisa, nunca tive problemas em ver o lado lógico de gostar de alguém e logo em seguida gostar de outro ou simplesmente querer lavar roupa à beira do rio pra distrair a vida. É interessante perceber, contudo, que seres humanos sentem de maneira igual ou muito similar, e o mais terrível nisso é ver alguém dizendo exatamente aquilo que você mesmo já havia dito anteriormente. Lá virão os místicos assinalarem castigo do destino ou causa e efeito ou isso e aquilo ou o blá e o blú do burucutú. Esquilos me perdoem, mas no fim pode ser que as coisas prescrevem simplesmente, o motivo do sorriso venceu, excedeu o prazo de validade …
Não peço nada que possas me dar amanhã,  te quero pra ontem! - e não pretendo esperar mais.



Agendado

Eu já produzi saudade e tristeza e engoli desprezo e imolação mental. Já me alimentei de fé, feijão e bucho. Experimentei toda sorte de sentimentos e não me corrompi pela dança do prazer sem amor. Ontem mesmo decidi que preciso comprar livros grossos de palavras pequenas pra ser uma grande enciclopédia de importantes ensinamentos miúdos. Sou uma busca e esse é o fato necessário.  Não consegui estar contento disso tudo que tenho, eu preciso ainda encontrar um afazer que satisfaça minha alma, e mesmo que eu abrisse mão do fardo da abundância, outro fardo maior me esmagaria, saber que estou atrasado de chegar onde precisam de mim. Estou aquém do todas minhas capacidades, fraco de braços e pernas, mente confusa e dispersa, memória ruim, conhecimentos superficiais de itens específicos e rotina inadequada. Não quero um tempo, odeio ter tempo vago, quero mesmo organização, quero fazer da minha vida um fichário colorido separado por assuntos, com hora marcada e programação rígida. Quero cant…

Sanduíche rápido de análises naturais

Provavelmente se dissecassem todo o teor da minha mente, haveriam dois ou três trechos de músicas, um jardim de margaridas, alguns poemas particulares, cenas pornográficas de amor cúmplice, risos intensos que fariam chorar e uma imensidão branca de paz indefinida. Acho que haveria um tanto de maldade, naquele quarto sem janelas, mas nada que fizesse muito espanto.  Bem, tudo isso pra dizer que o ser humano tem sim um perfil constante, aquela velha historia histórica do Rosseau de que todo homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe - aqui meio deslocada da conjuntura. Eu acho mesmo que de modo geral a bondade predomine e seja uma constante comum nas pessoas, contudo esse mundo globalizado capitalista nos ensina que o que faz a diferença é o diferente. Quero dizer que se em um estado de influência externa não adversa o individuo age normalmente com benevolência e calma, o que nos importa efetivamente é o estado psicológico de caos e a influência externa opressora e estressante. Entend…

Centauro

Meio bicho, domado e calmo cavalo. Selvagem e bravo homem da outra metade.
E descobri que me pertence, me destes de graça tudo aquilo que eu queria compulsoriamente. Agora o que guardei - economias postas debaixo das minhas costas deitadas -, são inúteis e só me servem às futilidades insaciáveis.

Um cativo conquista

O café ficou parado e esfriou. Estagnou o afeto e o sentimento congelou no coração dos distraídos. Receio que as pessoas tenham esquecido que precisam assumir compromissos, que devem ser cativas para que possam ser conquistadas, talvez tenham perdido a capacidade de perceberem como tudo perde importância e valor a medida que fica esquecido. Todo dia vejo gente atarefada até os calcanhares, gente com dois empregos, presidente da associação de moradores e que cobra por hora até para se exercitar, tantas pessoas que querem ocupações infindas para evitar qualquer segundo na companhia de si próprio e de todas suas duvidas e incapacidades. Na verdade não sei o segredo ou receita de coisa alguma, sou péssimo para cultivar amizades e minha sociabilidade é de curto prazo, mas provavelmente a de todos seja assim, porque de fato é na convivência que as pessoas se descobrem e aprendem a lidar com os detalhes de suas personalidades. Bem, estou meio abreviado, sem muitas delongas para acontecimentos…

Mas incólume.

Garoa mansa de inverno que tomba na terra encharcada da ponta inferior deste país tropical. Bailanta franca de uma gaita envergada que confunde os pés casais de quem dança pela arte de sincronizar-se. No meu rincão a festa não disputa o espaço que é seu por direito, no meu terreiro macumba não fecha com pacto de maldade, sou de toda cruza, branco e caboclo, imune, escopo à paz, ajudo no brilho da pintura fosca que faz a arte de ser do bem. Sou do povo nômade que o rio manda pra longe de tempos em tempos, o tipo de piá que levanta o móvel na esperança de salvar o que o suor dos seus conquistou. Aprendi a escolha e a perda, quando percebi toda força do corpo esvaindo-se, entendi o descaso necessário para com tudo que é anexo, nada se leva verdadeiramente a lugar algum além de si próprio e toda fé e emoção que se pode criar e conservar. Agora se tem o lodo, o barro, os galhos e toda imundice que fica de uma sociedade porca, eu recolho sem pressa, como se posto de joelhos a lavar os calcan…

à beira

Um quadro torto na parede e a carta úmida na gaveta. Logo virá setembro, mas as margaridas floriram no passado do tempo do meu imaculado verbo amar. Não inspiro mais poesia, não há fila no banco e lá estou eu sentado, sem teu rosto são meus olhos que se abrem e acusam o sorriso de quem passa. Na beira do lago sou longe, sou vago, ao lado teu não há colo, sem paradeiro certo, tenho o cheiro, o cabelo, a lembrança do que é meigo e o gosto ligeiro do que já passou. Mas sou vivo, sou carma longo de qualquer coisa que evolua. Afeto e protesto de ver com perfeição o detalhe do sempre.

twittado e postado

Você precisa arrumar alguns momentos pra que tudo dê certo.  Você precisa, às vezes, ficar em dúvida se a vida é mesmo tão maravilhosa.
Não temos grama, grana, gana ou pijama listrado de algodão.  Não temos nada, somos o calor do sangue que ama, 
alma alegre do rosto que ri.
Repolhos me contaram causos. 
Estórias flatulentas em que a Salada era vilã.

Maria da Graça

o que tu queres que eu diga se não te bastas o que justifico? cheio de ânsia e de alma mendiga sou pedinte de um abrigo no teu seio. o que me pedes que não possuo, o que desejas que não posso buscar, quiçá dois brincos e um colar?
Namoravam, ele era Plodo. Terminaram, hoje  EX PLODO!

Nau

A curva caótica dos meus desejos exóticos, desperta um flerte alegre de sapatos de salto pisarem o assoalho lustroso da minha imaginação. Uma orquídea, pendure-a ali. São os cactos que florescem nessa época. Gráfico de lapsos emocionais requer análise de dados cartográficos no mapa do meu tórax. Jogar a âncora e içar as velas, chegar à praia e não comer peixe. Navegar sem ser pirata.

texto adiposo do desânimo

Quanta urgência, quanta pressa pra tudo que se faz, nem bem se conclui algo, outra coisa já nos preocupa o relógio. Quanta cretinice das pessoas que nunca se satisfazem ou contentam, por isso mesmo que tenho me sentido meio vagabundo, com vontade de ser gordo e calmo. Deve ser difícil me imaginar gordo, eu sei, e aquela piada de eu ser magro já conheço também, mas me referia a uma gordura de inércia, um estar alienado cumprindo somente as necessidades fisiológicas básicas sem gasto excessivo de energia. Ainda não havia comentado a respeito disso com ninguém, alguns amigos diriam que eu deveria tomar cuidado pra não ser enquadrado em molduras de depressivo, mas que sempre aparentei ser meio estranho, ou que eu precisaria de um videogame e bastantes industrializados para angariar tecido gorduroso com ócio, além de abrir mão do sexo, subir escadas e toda essa coisa que estaria partindo pra uma definição muito sacrificante. Mas pensar nisso também me cansa, qualquer coisa já me da sono e …

palhaços

você é engraçadinha, eu sou engraçadinho, nossa casa é um circo, nosso amor é uma piada.

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Sentença de forca ou coroa: um reino abundante de felicidade, uma consciência vitrine de barbárie.

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A colher que agora repousa na xícara cumpriu sua sina de misturar os compostos que se afastavam, tombada tem a marca do café que não dissolveu na água quente, tem o doce do açúcar que impregnou nas suas entranhas, tem o sabor do seu ofício árduo que terminou no estalo de um paladar saciado.

Deixa eu ler, amor.

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Teu cheiro tomou minhas narinas e por muitas vezes desacredito a mim mesmo nas tantas inesperadas reaçãoes que me provocas. Até esqueço de respirar, mas não há de ser fatal, é falta do ar no espaço dos lábios comprimidos.Suprimimos as causas que não colaboram com nosso êxito, motivos maiores são zelados pelo destino traçado. Guardei um verso para susurrar pós amar-te, não sei se foi na manga ou no bolso do casaco, um verso curto para que ele não tomasse por demasia o tempo de tê-la. Sim, esqueci de recitá-lo, sou meio esquecido dos descompromissos que me tateiam a agenda marcada com teu nome garrafal.  Pula  a fogueira que o incêndio da nossa química inequívoca faz no quarto farto das roupas que teimam estar em contato com a pele. Sexo em segredo, um perigo devido ao cultivo do homônio ativo resquício pueril. Onde há de ser nosso próximo crime, um desatino, a insanidade no volume cúbico do automóvel? Paradoxo, poliedro triangular e espelho convexo para foto desta noite. Policie seus atos…

Defeque-se.

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Sentou na privada para ter um momento consigo, sua tarefa era libertar o rejeito e pensar em um jeito de transformar suas contradições ideológicas em frases de efeito. O gelado do assento eriçou os pelos de suas coxas, mas logo estava confortável com calça e cueca arriadas. Encaixou os fones de ouvido do mp4 e escolheu a pasta do Raul Seixas: cagar ouvindo música era algo a ser experimentado, era um aspecto revoltoso da sua personalidade que estava para aflorar, afinal, ele não precisava dar explicações a esse respeito. O meio em que o individuo vive, interfere-o. Claro que usava blazer e camisa minutos antes, poderia não ser, caberia usar qualquer outro traje que lhe fosse aprazível, o discutível está nas exigências de seu meio social, que só lhe credibiliza quando sua aparência física faz transparecer conquistas de supérfluos indispensáveis como dinheiro, por exemplo, nunca teve uma percepção tão nítida da importância que toda a humanidade dá a um papel de troca com significância mo…

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As pessoas não prestam, todo mundo já vem com data vencida no rótulo gasto de atrito. Assim que as coisas desfuncionam, assim que a gente se diverte.

Nada disse.

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Pelos vales verdejantes

Sou um trecho curto de final sem nexo, sem cardápio, dramaturgia musical ou desembarque previsto, então, longe de ser uma epopéia de migrações emocionais e parágrafos de tristeza, percebo que quanto mais me deixo levar por esse impulso de alegria desproporcional, mais se apresentam as disparidades que convivem no mesmo meio, que compartilham a mesma cama, que dividem o mesmo teto. Tenho uma certa tendência para o cientificismo, por isso sempre que menciono algo de cunho mais religioso costumo avisar previamente que "pode parecer ridículo", isso porque sou posto de frente para minha incapacidade de provar, de atestar indubitavelmente, e, me resguardo nessa tangente de fuga, nesse desvio da discução. Pode até parecer ridículo, mas creio que realmente exista um parâmetro à percepção de espíritos mais ou menos evoluídos, a maneira como cada um encara a própria sina, suas dores, tramas, (des)amores, essa capacidade avaliativa diante das situações mais diversas e/ou adversas não po…

Flip Flop

A gente precisa conter despesas, conter o extinto sexual na praça de alimentação, precisamos nos manter adestrados e psicologicamente controlados em nossas ações ou abstenções diárias. Uma cadeia social de regras e afazeres infindáveis que não tendem a nos perturbar muito a mente, ja que para isso deveríamos encontrar tempo disponível para refletirmos, e, se o assunto for de disponibilidade de tempo, perguntem a minha mãe o que ela tem pensado do meu. Pois é, eu preciso mesmo fazer aquele branqueamento nos dentes, pareço uma fumante precoce viciada em café, alguns fios de cabelo branco, um óculos do Harry Potter e estaria feito o estrago na minha reputação; que só por acaso tem no meio a palavra puta justaposta com ação. Não vem ao caso, mas tenho treinado a escrita de algumas palavras de trás pra frente, sabe, exercitar o meu cérebro um pouco. A Silvane trouxe a revistinha do Avon e listei meu nome em uns trocentos artigos de estética, cuidar de si e, nossa como eu engordei nessas du…

Sete pontos

Avançado sou sinal de tráfego errado, vermelho sou parado, amarelo adoeço ansiado de um verde prometido e ensaiado. Um multado na ponta molhada de uma caneta azul, um tumulto noturno de sirene ao descanso hebdomadário. Notificado e sem recurso, recuso-me ao curso em desuso de honestamente admitir meu erro de não parar para que os outros passem, quero trânsito livre, arbitragem inativa, anarquia com distração gratuita.

bioautográfico

Eu vou ter uma perda significativa de audição antes de chegar à velhice, sou uma fuga de tudo que conquisto, um contínuo mergulho na tinturaria dos sonhos mudos.
VOLUME: milhares de metros cúbicos em decibéis de volume, por favor.

Verifique se "o mesmo" encontra-se neste andar

Ando meio casado depois que cansei, e cansei um tanto depois que casei, mas conservo o sabor da conversa, e regresso anônimo com ânimo versejos promessas de antônimo.

Amélia

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Sou o aviso fúnebre em época de carnaval à maldita fé que aquela mulher havia assassinado no quintal da temperança, no subsolo do desânimo, a dois quarteirões da sala do prazer. Não fui muito mais que esperança, nem excedi os contornos da lógica, não era atômico poderoso ou proprietário de quitanda, fui tão somente o marco-fim de um trajeto curto, uma absurda eloqüência de discurso apaixonante.
Tomou nas mãos um copo de suco de laranja azeda e esperou aquele vento quente e vadio eriçar os pelos no couro do sofá, viu-o embalar pelo chão áspero as pétalas da flor que a chuva da manhã derrubara e torcia pela ressurreição de um sol apto a pintar o bronze nas suas coxas tomadas de receio, dúvida e frio.

Avesso do Flagra

Quando
pela sala entra o marido da Saia pelos fundos Saio.

Alucine / Místico I

Quero seguir o tom. Tum, tum, tum e uma sacudida leve na lata cheia de brita. Tom, um brinde? Bafora o charuto e me olha curto até que a fumaça toda seja levada pela brisa, ergue o copo e sorri dentes brancos de quem alterna personalidades. Tim, tim e outra sacudida leve na lata cheia de brita. O que os quarenta e dois títulos de sua estante, as apostilas e livros de matemática e biologia disseram sobre isso, Samuel? Está na sua mente, mas esperava que pudéssemos nos encontrar aqui com uma fogueira, vento soprando folhas secas e um velho fumando com cara de sábio para convencê-lo das respostas que a tanto tempo já possuía, não é? Poder não podemos entender, e tão poucos que o possuem sabem dominar, aliás, equívoco! O poder não é para ser dominado, é livre, afável, feito fera que faminta faz espetáculo para ganhar comida. Como o rio, existe e segue seu trajeto rumo ao mar, quem desejar arrozais que aproveite seu curso, que abra um rumo para uma nova veia irrigadora. É assim, você não d…

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Se bastasse reza, riso não haveria.
"A todo o momento, aqui e acolá, gostar é constante, te amar não tem pausa. Se confiança é perna e apoio do amor, o teu até pode mancar, mas o meu exige estar sempre pulando. Meu timbre predileto vem da tua voz, minha alegria nasce no desenho do teu riso e esse é o momento que tua cabeça deita no meu colo pra minha mão de cafuné fazer nó no teu cabelo de minha mulher."

We're better together

Aprendi a dançar, ou talvez nem tanto, talvez muito mais, aprendi a fazer dois corpos sintonizarem, colados e justapostos suavemente se moverem pelo espaço musicado. Os acordes sempre me lembram que os anjos tocam harpa, porque o som extingue a solidão e ensina os homens conviverem harmonicamente entre si. 
Enredamos uma história pra contracenar, atiçamos nossa pele, penduramos nossa rede e ofegamos o pulmão de nossos desejos. Desnudamos a expectativa e criamos uma vida vista com a pureza da verdade. Iniciamos nosso ciclo. Uma luz forte que se via de todo canto na fusão de duas estrelas.

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 é passado, meu bem. Mantenha-o lá.

Púbere, Henrique

Desodorante, chave de casa, do carro, perfume 50ml, celular e caneta. Escrevo disso um soneto, um poema? Hum, não! Hoje é conto pornô e punheta.
E foi assim, fez amor com Amão - sua primeira namorada -, e dormiu exausto de punho e braço. Deixou o membro descansar, desinflar do sangue na palma quente do atrito de epiderme comum. Claro que os hormônios são uma invenção saborosa demoníaca ou metabólica, o fato é que terminou um caso de amor perfeito, porque a desgramada ingênua freqüentava bares em segredo, mas que tanto desejo havia que ele não pudesse saciar? Era necessidade de variar os tipos de carne, ainda não soube da tendência de zoofilia, mas era humana igual, ainda não soube da tendência homossexual, mas era masculina sempre. Enfim, fim. Não importa o quê lá, ele estava relaxado no lençol de seda cinza e logo iria virar para o lado e sonhar com quem quisesse. Um cigarro? Ele não fuma. A puberdade, até que ele viva outra, é a fase mais interessante do ser humano. Todo gozo é clímax, …

Equalizer

Picadinho: salame, queijo, pepino e pão. Claro que eu sou confessional, acho que é isso mesmo que me afugenta pra longe da praxe mecânica das coisas. Se eu escrevesse e vivesse feito um robô eu teria tornado isso meu ofício financeiro, mas não, escrevo as safras da vida, fartas ou meio fracas, isso que importa. Até cheguei a pensar que quem realmente vive com intensidade não teria tempo pra esse tipo de coisa, bobagem! Daí sim que fica necessário não desconectar de si próprio: conservar o melhor de nós que tanto se perde sem querer.

Quando a água se afoga no Mar da Etiópia

É eu vi o que você disse de amar, um trecho de José Saramago. Eu vi o exato momento que você ficou em duvida de tudo que já conseguiu viver até hoje, se algo valeu pra algo, se a cor foi pra colorir o teu quadro ou se foram mais novas velhas fotos postas na escrivaninha do teu quarto. Senti-me assim também e não quis dizer pra todo mundo que eu poderia ser mais fraco do que aparento, toquei as coisas cheio de entusiasmo pra não morrer longe da praia ou na ilha de Manhattam do Drummond. De repente percebi que as pessoas que realmente se importam conosco nem sempre são aquelas que estão a todo o momento por perto, entendi, aliás, que a distância é muito mais subjetiva que os quilômetros da lógica podem supor, que aqueles que mais pensam em nós, não são os que necessariamente mais nos ligam ou mantém contato. "Fazer sentido" não faz sentido quando o sentido a seguir é contrário, o "essencial" é conceito próprio dos famintos e consumistas, o "necessá…

Agrião é bom de comer e de coração

E então sou eu, e a primeira pessoa conjugada é a que menos pode causar dúvida. Não, aquele que você cumprimenta sorrindo quando volta do almoço não é exatamente tudo que meu espírito guarda. Tem mais, um tanto a mais em cada canto do sujeito com jeito errado de caminhar. Todos são assim. Todos guardam uma história de amor no passado, o nome do primeiro caso de paixão, o maior castigo na escola e uma carga sem fim de medos e retenções de liberdade. Esse negócio de consciência, que me perdoem os justos, é uma grande bobagem e perda de tempo sem fim. Aquela história do pecado, da punição, do inferno e do castigo, que me perdoem os sados masoquistas, é uma tremenda forma de exaltar a imensa estupidez a que se sujeita a humanidade. Eu sinceramente acredito que o meio de tomar para si a felicidade é estando liberto, porque quando você se mutila e acredita que seu erro mais remoto ou recente deve resultar em alguma forma de arrependimento forçado por interferência punitiva do destino, torna…

Pestiado = Suspensão injetável instramuscular profunda

O certo é que somos máximos seres de vulnerabilidade, nossas vidas são marcadas pela busca incessante de um afeto ou amor ideal, de exaltação da vaidade, de nos divertirmos e nos mantermos saudáveis em tudo que a palavra exige. Foi então que eu deitei de bruços e veio uma jovem enfermeira, com vinte e pouquíssimos anos, loura e o tradicional jaleco branco, querendo introduzir uma agulha carregada com benzetacil na minha, até então, incólume nádega esquerda. Eu não chorei de dor, nem esperneei ou algo assim, mas a enfermeira conseguiu me deixar mais ofegante que qualquer outra mulher. Há um aspecto interessante a ser posto aqui, no município existem dois tipos de atendimento de urgência, o Pronto Atendimento e o Pronto Socorro, a diferença fica nítida no nome, o primeiro fora criado para indivíduos que pelo fato de terem um plano de saúde e serem financeiramente apresentáveis, receberem ATENDIMENTO. No segundo aqueles que não possuem plano e cumulam a infeliz característica de “não ter…

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O único problema em gostar de uma só pessoa na vida é não saber se foi ruim.

Algo assim.

É certo que sempre há um jaz esculpido e descrito na lápide da finalidade que não traz a página virada no primeiro capítulo do romance de paixão fugaz.

I see you.

Eu te escolhi com a minha alma. Não me deixe esquecer isso. Que não haja dor, medo nem sentimento algum que anule a possibilidade infinita de ver um no outro a intenção mais pura de seu coração. Que a matéria se desfaça, que o rádio se parta, que a música termine, que o carro quebre, que o dinheiro acabe - e nem importe, que a comida falte, que a sede surja e que o universo padeça. As almas, nunca morrem. Eu não tenho igreja, não tenho cor, não tenho vícios e peço cachorro quente completo. Leio livros e sinto um prazer ainda maior em comprá-los, medito não periodicamente, ando descalço, não compro jornal pela manchete, já fiz teatro e bancos com madeira velha. Minha grafia é variável e não legível, minha visão é nítida, meus sentidos são atentos, ainda com o déficit de atenção, sofro de dores lombares com longos períodos em pé. Sou razoavelmente indeciso em assuntos cotidianos de pequena importância, mas abnego alteração de postura quando uma opinião ganha certeza em mim, meu Índice d…

We're better together

Foi com a saudade que mensurei a vontade de ter perto. Conheci meu deserto, minha fuga pouco estratégica de admitir que fazia falta teu perfume, teu riso, tua roupa combinando a minha.
Amante menos esperto e mais calhorda, acerta o pulo quando te chama, dispensa discórdia quando te ama. Sou trem de freio curto, atropelando meu sonho surdo que surdindo espia teu jeito novo de fazer ter cor e som o espetáculo de espíritos anis.
Oferece tua vergonha de dizer à língua de verbo frouxo, deixa tua substância concentrada dispersar a minha inconstância armada de afeto, e faminta de ti.

rimar romã e religião

Embora não admitisse a existência de realidades inexistentes, fui embora, estou ausente de horas futuras e observar de longe é cultivar o carinho que permanece puro. Não haviam fotos partilhadas que pudessem ser rasgadas ou outras partículas físicas que precisassem ser queimadas para neutralizar a presença do passado. Nós apenas silenciamos nossa sede de amar, desacatamos nossa vontade de transpor fronteiras estaduais. Desde o início teu jeito havia me conquistado, essa paz tão correta, esse desenho reto dos fatos e toda essa mesma invasão tênue que descansa se fez presente pra dizer que eu não deveria negar nada. Tuas verdades presumidas deprimiram o bem que me fazia. Tive vontades oprimidas e incrédulos repertórios de humor diário, por fim, não sobrevivi. Sinto muito. Falecida hipérbole humana, ganha culto semanal celebrando os momentos lhe valeram a vida.

Comentário

Não tenho rumo, não sigo rumos e não leio runas. Eu não mudo, venho da escola da escolha. Nada em mim é repentino, aparenta apenas àqueles que desconhecem o tempo das coisas. Liberdade é palavra que não cabe em frases de demagogos, é muito mais espírito que descrição, não convém que seja pretexto para repreender. Eu odeio gente que não ama, que pesa e avalia sentimentos alheios. Meu conceito pré-cozido não trata de analizar sentimentalismo ou perenidade de lembranças que não habitam meu próprio ser. Abstenho-me quando meu nada com nada faz revelia em algo.

Vanessa

Algumas pessoas nascem de modo errado, vivem de forma errada e morrem de um súbito erro certo. Eu vim do indesejo, sou filha do inesperado quando minha mãe era jovem e suas pernas arejaram no vento leve do balanço da rede. Sou crua, um cumulativo de dores sucessivas e atitudes não tomadas. Poucos sabem dos submundos do mundo, a elite inocente que conhece fome, miséria, drogas e prostituição, não quer ferir a retina presenciando em alma presente o que acontece pelos becos, bares e praças. Abandonada pelo macho que me amava, tenho filha e uso suas roupas vez ou outra, se as minhas ficam largas. Trabalho no abate de aves, sem detalhes mais interessantes a esse respeito, e o melhor é que não contemos aos clientes de nossa vida, eles não querem sabê-lo. Vanessa meu nome e vadia meu pseudônimo, superei a fase de estranhamento e retenção diante dos fatos, eufemismos aos que se agradam deles. Sexta-feira. Coloco a cadeira defronte ao bar e chamo os homens que passam. Vou pedir seu nome, onde v…

Diálogo. Indagados.

Guto diz: - morde? Nanda diz: - lambe? mata? Guto diz: - de carinho? Nanda diz: - poderia ser? Guto diz: - te agradaria? Nanda diz: - uma pergunta? Guto diz: - eu já não perguntei? Nanda diz: - perguntou? Guto diz: - não consegue ler? Nanda diz: - tá me chamando de cega ou burra? Guto diz: - entendeste assim? Nanda diz: - não foi a intenção? Guto diz: - a intenção era dizer que estava explícito, não? Nanda diz: - o que estava explícito? Guto diz: - não viu algo explícito? Nanda diz: - havia algo explícito? Guto diz: - estou perguntando porque havia, não leu? Nanda diz: - burra de novo? ¬¬ Guto diz: - quer ou não morrer de carinho? Nanda diz: - sim ou não? Guto diz: - prefere a lambida? Nanda diz: - sinceramente? Guto diz: - pode ser? Nanda diz: - posso optar pela 1ª? Guto diz: - pode optar por qualquer uma, pode responder agora? Nanda diz: - não percebeu a resposta? Guto diz: - claro, como sou idiota, não? Nanda diz: - tu tem problema, não é? Guto diz: - alguns, e você? Terminamos a brincadeira? Nanda diz: - quer ter a honra de terminar? Guto …

Diálogo. Amigos.

- Interessante é saber que não nos vemos porque mudaram as coisas, mudaram as vidas. Sempre escrevi, outubro de 2006 gastei duas páginas e falei de ti, falei de todos que eram tão próximos de mim, mas que hoje nem sei se estão vivos. Não preciso saber o que tu tem ou vai ter, o que tu é ou vai ser, o que eu preciso é que saiba que foi um prazer imenso compartilhar um trecho da minha vida contigo. - São memórias tuas, escritos que devem ficar lacrados? Tu não faz idéia de quanto tu foi importante na minha vida, cara. Se tem uma pessoa que eu sempre soube que poderia contar, eis que aí está a pessoa atrás de um monitor, sentado, com as olheiras cansadas. Talvez me encha de remorso, mas amanhã eu não poderei ir! Tu vai? - Sei que não vai poder ir, é por isso que vim dizer isso. Nós escrevemos assim: “hoje, sábado, em uma aula de Filosofia, cinco amigos decidem se encontrar daqui a três anos. Dia nove de setembro de dois mil e nove (09/09/09), em frente à Igreja Santo Inácio de Loyola às 21…

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(...) E apertou os olhos molhados de lágrimas, de costas para ela e inclinado para o abajur. – Veja, Lorena, veja... Os objetos só têm sentido quando têm sentido, fora disso... Eles precisam ser olhados, manuseados. Como nós. Se ninguém me ama, viro uma coisa ainda mais triste do que essas, porque ando, falo, indo e vindo como uma sombra, vazio, vazio. É o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem anjo... (...)
Lygia Fagundes Telles