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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Pequenez Sognante

Grandes e fartas emoções Loucas e despropósitas apostas cegas Atormentam minhas hipóteses de sobrevida Ultimamente tenho sonhado Com gente que sei nome e cor do olho Inteiramente deslizo na verve da esperança Alimentando torpe sentença de desalinho.
Tanta gente tenta sem saber Enclausurados na mesmice dos dias Acrósticos na releitura vertical Mais felizes ficam quando descobrem Outro sentido pr'aquilo que sabem

MUITO.

Louvor e Lamento

Amor, amantes, a menta. Às vezes enjoa, às vezes alimenta.

Vida Real

Quero fazer um filme, longo em metragem de amor, sexo e estupidez humana. Estou feliz feito canário ao som da gaita de boca, família reunida e carne assando no carvão de pouca brasa, calor de ser amado: pai e mãe é experiência primeira de afeto e "todo sempre" é seu tempo de duração. Não troco por nada, nem por excesso de álcool pela madrugada, nem por fartura financeira ou mudas enxertadas de jabuticabeiras graúdas. Eu quero contar que dei valor aos que me amaram por inteiro, vou denunciar a qualquer um que minha teimosia era inteligência forçada pra fazer o bem maior, vou mostrar meu sangue fiel e vou dizer que no sabor amargo do fel o açúcar é troféu de sobrevivência. Estejam perto os que compreendem meu defeito maior: sou temor e desejo, impulso e brotoeja no verão de janeiro. Olhem bem, levo jeito pra bancário? Dúvidas que hajam, tenho aprendido cruzando por cadáveres que realmente a vida é feita de etapas, acreditem em Deus na entidade meia-pá ou nas margaridas do meu …

Passar / Café

Aquele que ultrapassa a própria acepção e desembarca nas possibilidades infinitas de ter em si aflorados os devaneios alheios, aprende o contorno de sua personalidade e se permite viver a inter-subjetividade de forma mais intensa e construtiva. Cada um existe no tempo do sentimento que desperta n'outro.
Eu gosto de gente boa, gente feijão com arroz e suco de laranja, com suingue de índio branco audacioso. São essas as pessoas com as quais me identifico e escolho ter próximas da melhor e mais viável forma possível. Foi ontem que eu estive lendo um desses best selers que não nos deixam entender porque tanta gente compra literatura ruim, dai parti pra quem escreve com o tesão da descoberta, quem escreve com paulada de ódio ou mel do fim de tarde de quarta-feira e lá estava Leticia Palmeira, Sonhadora (fiéis leituras) e meu estimado amigo Jhony Rodrigues Pereira, ascendente intelectual e jurisconsulto promissor - não tome como derrame elogioso, mas sim constatação - escrevendo novament…
Cristiano mora no segundo dos três andares daquele protótipo de prédio, e todo vizinho possui um cabo de vassoura como artigo de sobrevivência urbana. Cris tem um carrinho de rodinhas e quer brincar pelo espaço de sua casa, então se aproxima da parede e com os pés nela, flexiona as pernas para dar o impulso do passeio. Ele tem cor, diferente do cinza das pessoas sem brilho, cor que eu não tenho, mas pra mim tem tanta cor no mundo mesmo que não faz a menor diferença. O problema é que ninguém quer barulho, acho que essas pessoas todas tentam escutar aquilo que inutilmente seus interiores comunicam, mas não há diálogo e ai está todo o desencontro de personalidades, intelectuais conhecedores de cinco idiomas desconhecem a língua para tratar consigo mesmo. Dinâmicos e festejantes, Cris olha nos meus olhos e diz que aquele que nos vê agora não imagina nosso padecer passado. Foi o vizinho de cima que chegou a sua mãe e "ele vai ser um futuro bandido", ela chora, ajoelha e contrapõe…

Desfeitos

Talvez um século. Talvez uma vida. Não sei ao certo quanto tempo duraria, mas ao fim ele me removeu do sonho e me indicou o abandono como o quarto ao lado, mobiliado e claro na cor pigmentada do mármore. Estapafúrdio homem de seus tantos sonhos e ambições, na ânsia contínua de percorrer vias duplas que não convivem em paralelo. Eu queria seu tanto de singelo amor em tigela de porcelana como lanche da manhã, uma maçã do pecado e o instinto latente que me levasse ao errado pela fome do veneno que só em ti encontrava.
Ela nao era esposa,  era mariposa. Eu não era luz,  era lâmpada.

Gastei tanta palavra por gastar

(Só o amor mensura o quão humanos realmente somos.) Não era bem o que eu precisava ouvir. Pedinte de socorro, brados pulmonares retumbantes reverberam nas montanhas que me escondem, sufocam. A chuva precipita sobre meu cabelo e só meus olhos regam o solo seco de novembro. Surdo, mudo e debochado, quero a espada, a guerra, a sangria dos ímpios e desmedidos. Engarrafo óleo de ódio mais refinado e menos ácido que qualquer pé de oliva grega pôde produzir nos vinte séculos cristãos conhecidos pela raça lógica. Tua formalidade mesquinha aniquila toda intenção de afeto que surge em mim, não posso convencer teu silêncio do contrário, tua falta de expressão e ternura é gelo que me lança longe da presença que tanto meu corpo pede agora. Então estar próximo não é desejo, nego convites sem receios, desaprendi a ser o que jamais fui, não mais transito buscando encontros propositais, não mais enalteço todo o carinho que permanece nos indivíduos mentecaptos. Revoluções que cessem, que eu pare de qu…