Dado Viciado

Carreirinhas desfizeram minha carreira,
agulhas roubaram a linha da minha profissão
seringas em consolo é ouro de tolo
fracasso todo do sujeito fraco.
Olhos azuis à sombra de olheiras,
veias sobressalentes nos braços,
fechadas hoje, abertas ontem
na injetável viagem de risco terminal.
Corpo sem cor do bronze solar,
meu banheiro é fechado, meu quarto
não quer ninguém adentrar,
fede a enfadonha praxe de estar calado.
A rua é noturna e na esquina eu tombo
de bêbado, louco e não sei o quê,
pus na pele e sangra o corpo
afasta mulheres e carrosséis de fogo,
sou vendido e nem clínica voluntária me compra,
casas de família, bares e todo canto
dois reais, um tanto de caridade à fissura?
Em cambaleio, internado, preso,
prédio branco e gente doutorada,
drogas lícitas pra tratamento
de vício indevido indivíduo.

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