Coletânea de Antiguidades Poéticas


E quando vos esbanjardes nestes banquetes que o amor oferta, tende prudência. Como se ainda não dito, repito, a fim de que não esqueçais: não fazeis de outrem vossa idealização de mundo, noutro não se encontra a perfeição senão em vós.
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Pense, que coisa louca o fato de você estar influenciando a vida de pessoas. Mesmo que esteja indiferente, ou isolado, a sua imagem direta ou indiretamente é atuante na vida de alguém.
Bem, a tática, então, é ser conscientemente expansivo em influência construtiva. Tudo que você faz, pensa e escreve de alguma forma interage com o Universo que há em outro ser-humano.
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Bons ventos nos trazem.
Bons ventos nos levam.
A gente é passarinho,
A gente vive para amar.
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Pois sim, "temos a arte para não morrer da verdade". Desastre aos Artistas que são de plástico e remetem amor ou sarcasmo de superfície em seus discursos perturbados. Removam-me desta camisa de força, não existem amarras pra minha insanidade socializada. Deixe que a liberdade se faça, quero pensar além das condutas paradigmáticas, das pequenas verdades consensuais. Estarei infinito. Obras sempre serão inacabadas. Não há vida conclusiva ou respostas definitivas.
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O que me move é este INCÔMODO de me perder dos meus sonhos. Essa é minha arma, a força pra que não me torne mais um integrante da massa passiva do mundo. Sou esse movimento contínuo, uma idéia retorcida de perfeição, uma analogia simplória com a mutabilidade. Vou descendo e subindo os andares das experiências e nem imagino onde isto termina, porque se hoje são largas as calças, amanhã são justas e rasgadas ou cetim importado. Vale ter o tato, experimentar o gosto, sorver o aroma. Sinta. Dance.
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Ontem, escondi-me debaixo da cama e sai à caça de algumas múmias que vagavam nas pirâmides da minha existência. Soltei toda a faixa que enrolava seus corpos e deixei que corressem ossos nus pela extensão dos meus capinzais, arranquei seus amuletos, quebrei os potes de oferenda e inspirei como se fosse perfume todo aquele cheiro de embalsamento. Tem poeira e solidão debaixo da minha cama, nada de monstros, fantasmas ou feiticeiras eu encontrei. O medo já se foi, junto com tanta coisa que nem as formigas mais quiseram morar nos orifícios da minha janela. Fiquei ateando fogo em candelabros no passar das noites e imaginando o ciclo de vida das pitangas européias, sonífero ou ácido? Neurônios. Limpar o aquário já me acalma. Café, antialérgicos e entorpecentes trufas de morango mal administrados me estimulam a desenhar pensamentos nas telas das idéias e hoje é outro dia sem que eu tenha dormido ontem. Quando criança eu desejava ver o dia mudar de dia, achava que era algo fascinante e com uma magia única que tornava a realidade diferente deixando tudo intacto outra vez, como se ontem não houvesse existido e só eu, por estar olhando o seguinte chegar, poderia me lembrar do anterior. Bobagem, olheiras e só. Verdade é que as múmias dormem se eu trabalho. Passo, digo “oi” e não paro.

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