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Mostrando postagens de Outubro, 2010

Coletânea de Antiguidades Poéticas

E quando vos esbanjardes nestes banquetes que o amor oferta, tende prudência. Como se ainda não dito, repito, a fim de que não esqueçais: não fazeis de outrem vossa idealização de mundo, noutro não se encontra a perfeição senão em vós. ________________________
Pense, que coisa louca o fato de você estar influenciando a vida de pessoas. Mesmo que esteja indiferente, ou isolado, a sua imagem direta ou indiretamente é atuante na vida de alguém. Bem, a tática, então, é ser conscientemente expansivo em influência construtiva. Tudo que você faz, pensa e escreve de alguma forma interage com o Universo que há em outro ser-humano. _______________________
Bons ventos nos trazem. Bons ventos nos levam. A gente é passarinho, A gente vive para amar. __________
Pois sim, "temos a arte para não morrer da verdade". Desastre aos Artistas que são de plástico e remetem amor ou sarcasmo de superfície em seus discursos perturbados. Removam-me desta camisa de força, não existem amarras pra minha insanidade…
Um tijolo, pequeno e duro, e outro, outro, cuspe pra fixar. Um tijolo, outro, outro, e outro. Meio tijolo, inteiro, meio tijolo, inteiro, meio tijolo. A porta, tijolos, a janela, tijolos, o banheiro, tijolos, outra janela, tijolos. Maison em francês, construída e pronta com paredes ornamentadas com gesso e todo detalhe que se tem direito na arquitetura contemporânea. Tudo é construção, todo homem nasce pra ser pedreiro. É erguer algo aqui, quando outro ali se desmonta.

Dado Viciado

Carreirinhas desfizeram minha carreira, agulhas roubaram a linha da minha profissão seringas em consolo é ouro de tolo fracasso todo do sujeito fraco. Olhos azuis à sombra de olheiras, veias sobressalentes nos braços, fechadas hoje, abertas ontem na injetável viagem de risco terminal. Corpo sem cor do bronze solar, meu banheiro é fechado, meu quarto não quer ninguém adentrar, fede a enfadonha praxe de estar calado. A rua é noturna e na esquina eu tombo de bêbado, louco e não sei o quê, pus na pele e sangra o corpo afasta mulheres e carrosséis de fogo, sou vendido e nem clínica voluntária me compra, casas de família, bares e todo canto dois reais, um tanto de caridade à fissura? Em cambaleio, internado, preso, prédio branco e gente doutorada, drogas lícitas pra tratamento de vício indevido indivíduo.

Não preciso de modelos, não preciso de heróis.

Escritores estão acima do bem e do mal, de toda dúvida, são o marketing do reino absolutista, escritores são deuses esfarrapados tecendo passado em papel. Não há ridiculo, há afoite e exposição.

Escolha implícita

O celular tocando e eLe quer conversar comigo. Namoramos a algum tempo, sinceramente sinto falta da presença deLe bagunçando toda essa coisa de mundo. Já Ele não liga, raramente ligou, mas converso também através dessa ineficiente aproximação virtual. Disse algo, mas eu não vou ler, aquela luz laranja pedinte no canto inferior da tela e Ele não gosta de esperar minha resposta, o problema é que não vou falar com eLe e com Ele ao mesmo tempo, me sinto mal, é como se eu estivesse transando com eLe no quarto enquanto Ele faz o jantar na cozinha, estaria fazendo o jantar pois Ele tem essa mania de sacrifício pelos outros. Até não costumava comparar os homens, mas hoje em dia eu comparo, tô nem ai, sabe? eLe, por exemplo, deu-me uma nova visão das coisas e me apresentou um turbilhão de sons guitárricos, Ele não, bem menos intenso que aparenta ser, manso e de pouca emoção, claro que é legal, nem disse o contrário. Atualmente eLe é amigo, tenho muitos pra que eu não morra na carência dos pico…

Antro pocêntricos

Suportávamos-nos por pura conveniência. Companhia para contar e ser ouvido, só isso, porque raramente concordava com o que ela dizia. Por certo não deveria estar ali, sentindo o limite deste curto espaço de pensamento, sem discutir com alguém que se incomoda ou delirar com alguém que se alegra, conviver com zumbis é estágio muito avançado para mim. Tenho percebido que a última moda é ser desleixado, nada com nada e tudo fica bom, calça rasgada não importa, mas cabeça idiota faz estragos no futuro de um homem e ninguém compreende quando digo. Shift Home, voltamos ao começo que negligência é subitem de culpa. Homens com dinheiro andam sós, afeto não se compra, porque ninguém o vende. A solidão é uma característica inerente, a vida nos dá e depois usamos segundo nosso instinto, fica ali, em um compartimento específico, é uma massa de preenchimento pouco densa. Se você não leva a vida com doses cavalares de emoções, certamente vai usar esse preenchimento pobre para tentar se auto-satisfaz…

Dêem vivas à revolução!

A juventude se mata,
morre burra de liberdade nas vitrines da rua principal.

De:Para:

E eu não sei amar, não sei ser bom amigo nem permito que se apaixonem por mim. Sou um espécime raro, o maior miserável que já desenhou uma casa pequena com um lago vindo do seio das montanhas em uma folha de ofício. Não sei da morte, não sei do sucesso ou do fracasso e não lido bem com nenhum deles, não sei ler a linha das mãos ou confessar a verdade dos meus sentimentos. Não sou um bom homem, não sou alguém que outro alguém possa admirar, não sou rico e meu cachorro rosna o afeto que me guarda. Sou entediado, não bebo cachaça, não uso drogas, não atendo o celular, não arrumo meu quarto todo dia, não vou a festas e escrevo mal. Sou fraco, magro e sem graça. Meu cabelo é escuro e grosso, parece um capacete natural, sou meio burro para cálculos fáceis, não rezo toda noite, não leio a bíblia e cobiço a mulher do próximo. 

A propósito, eu sou um homem imperfeito.
A vida sempre tem um monte de coisa, das quais a gente poderia ser poupado, mas você não quer ser poupado, ninguém quer! Pelo contrário, todo mundo quer ser gasto, poupar a gente poupa luz, papel higiênico, sei lá.

H2 e Ó não entrou na história

Bebi água. A muito tempo não bebia, 22h 57min de sábado à noite eu senti meu corpo recebendo um líquido bendito armazenado na geladeira em garrafas plásticas verdes. Pude sentir o gosto, sim, sei que ela é insípida, até eu sou às vezes, mas aquele gosto de "sem sabor" lavou o amargo da minha língua, esôfago e pupilas comprimidas dispertaram os olhos para que voltassem a jorrar de vida.

Crime literário

O crime literário acontece quando o escritor padece, e desfalece com toda dor, escrevendo para ser de perto o pior artista já lido.
Não há coisa pior que auto-mutilação poética (dislexia?) fraturas na camada óssea da rima.

Reconhecidos

Ela está em declarado estado de emergência, mulher de calamidade pública e umidade púbica que me ama enquanto da narrativa de morte e desgraça diária do William Bonner no jornal nacional. Sofá e faço sala pra abelha rainha, ela só faz charme nesse ciúme agressivo com geminianas que erguem pára-raios na minha tempestade de hormônios juvenis, crio um anexo de orientação: "como ser feliz ao lado de uma mulher perfeita", não pense que é fácil com açúcar e frutas que se come em dupla. Na fila do centro de saúde ninguém me disse que o segredo é não abrigar o que incomoda, não dar encaixe à peça falsa, você precisa manifestar o descontento para que não constate que a presença se tornou insuportável abrindo uma cadeira de praia no parque no auge do declive dos seus setenta e dois anos. Tornado de vento forte ela me destelhou a total capacidade de avaliar onde termina o sentimento e se há cores que não  azuis. Nem tudo vem ao caso, mas o acaso muda o fato, porque ela vive com sapos, …

Lábios de Vênus - átomos sexuais

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Tédio não, não me tire de casa para o tédio. Sei das pessoas pela forma como caminham, as pessoas são formigas e tenho alergia a abelhas africanas. Claridade não me deixa à vontade, luz nos olhos e uma chuva de indagações a respeito do que acredito, dos crimes que não quis cometer, das mulheres que dispensei comer e dos diários roubados de vítimas fictícias. Movimentos sazonais de turistas e existem duas estações na minha temporada, diurna e noturna, a primeira serve para o trabalho e reflexão, celebrar a miséria humana, a outra normalmente agrada mais aos amigos e sexo feminino em estado vegetativo ou negligentes do próprio estresse positivo. Ela pega um cigarro do meu maço, sopro a chama do isqueiro para provar que o desejo de a(s)cender nos move mais longe. Fico feliz, claro que sim, com toda essa coisa imprevisível de te ter como "comprimido de avesso", um beijo e tua boca me faz bem, quebra-cabeça montado longe de ti, perto perco as peças e me embaralho todo. Sou viciad…

agatho démones / caco démones

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Demônio, entidade maligna que assombra com cara de anjo falso e mata de assalto a esperança de tudo ser melhor para qualquer alguém. Disseram que o mal escuta musica clássica e lê Nietzsche enquanto as coisas se colidem, destroem, incidem na dor que enfatiza as premonições de amor. O mal sente tédio na igreja e sacia a sede bebendo água benta feito cachorro no recipiente da entrada, tem nojo do mendigo que mendiga tudo que poderia ser roubado, resolve a fome na óstia sagrada e conta ao padre piadas de argentinos surdos. Mas pelo funk tem afeto e pecado é seu discurso público. Incontidos risos e movimentos de sobe-desce o Demônio dança nádegas que buscam seu órgão principal de festejo: delícia. Ele dá gargalhadas, o Diabo tem dentes e não vai ao dentista, suga tanta aura boa de pouca saúde psicológica e toda realidade segue em ordem cronológica o conhecer esse outro lado macabro da sensação. Toquem as cornetas que o Encardido vem visitar, abram as janelas que a escuridão escorrega pela…