Descanso

Todas as luzes acesas para não dormir, holofotes, helicópteros, binóculos como óculos para ver o que está além dos morros, adrenalina e glândulas supra-renais regurgitando a química da reação. Som alto, carro rápido, correndo eu não capoto, aquaplanando sou lancha com motor de popa da manga, parado paro e não tenho engrenagens lubrificadas de abraços. Não há como optar por agir mais e falar menos, lamento. Perca-me se preferir, faço minhas escolhas e cumpro minhas metas - não as promessas. Suba no bonde quem quiser, homem ou mulher, mas não transo com os primeiros. Canso. Canto para não desmaiar lendo cálculos financeiros e sou branco da falta de almoço. Relatórios, siglas e rentabilidades fartas, invisto no mercado futuro dos bovinos de papel. Às nove horas sou estrada e meu caminho é para cruzar o teu, viajar com tua imagem desenhada do meu lado, tão feliz que soa indecência da minha parte. Conclui que ninguém fala meu idioma, não riem da zorra que é suas próprias vidas e permaneço em silêncio nos oitenta dias de experiência. Dessa labuta o maior perigo é que me corte com papel, seguro disso faço seguro para aquilo, castigo é se faltar curativo e incentivo o uso do crivo para canalizar o estresse do atrito. Preto, a cor da minha roupa: sapato, calça, básica, casaco e cabelo. Palestra em Pernambuco e é tão Grande esse Rio que nos separa. Linguagem de sinais não inclui entendimento, tua bondade para mim não exclui de ter veneno. Brindamos copos vazios, depois aconchega este corpo vadio, porque ainda és o meu descanso.

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