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Senti medo, muito medo. Quando vi a descida íngreme e não havia freio para minha pressa de viver. Só pássaro que voa, você não, você é passageiro, não confunda o tamanho do abismo com os centímetros da sabedoria. Qual é o itinerário? Não entendi quando ele me veio, escrito bem grande em vermelho: CUIDADO. Mas como poderia ser assim, sem aviso prévio, salário a receber e contas a negar, faltando a oportunidade de morar noutro fuso horário e descobrir que um país tem céu, inferno e coxas picadas por pernilongos? Algo em mim agora está menos acordado, sem os números certos da mega-sena eu morreria pobre de lhe ter por perto, joguei cantando em latim para que a boa sorte me escutasse. Sinceramente não tenho visto mais poesia nas coisas, esvaiu-se minha inspiração e pretendo escrever novela até o fim dos meus trinta e seis próximos minutos, por puro rancor, revolta, só para provar ao mundo que não me importo com o futuro da Arca de Noé.

Comentários

  1. "...morar noutro fuso horário e descobrir que um país tem céu, inferno e coxas picadas por pernilongos? Algo em mim agora está menos acordado, sem os números certos da mega-sena eu morreria pobre de lhe ter por perto..."

    Nunca pensei que o termo "morrer pobre" poderia ser tão poético.

    :D

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