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Mostrando postagens de Julho, 2010

[Mas tenho ensaiado progressos]

Sou explícito porque já oculto coisas demais em mim. Direto naquilo que digo-escrevo-faço, pois quero a expressão imediata e não resoluções pensadas de agrado falso.

Poder de Entidade

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Mãe Laura é vidente, evidencia alguns belos dentes brancos sorrindo pra gente. Sabe do futuro, eu não sei, não sei nada que fuja desse segundo que ela me olha nos olhos e descobre tudo que há em mim. - Corte as cartas - pondo-as na minha frente e esticando a toalha rendada da mesa onde nos encontrávamos. - Ah desculpe, não trouxe tesoura hoje, Senhora. Ela arreganha uma gargalhada e fecha a cara do nada ordenando novamente que eu cortasse o baralho de Tarô ao meio, então o fiz. Pegou-o novamente em suas mãos e como a evocar alguma energia estranha e ridícula mexia seu corpo chacoalhando suas pulseiras e me ofuscando com seus anéis de bijuteria barata. Meu coração trepidava no mesmo ritmo e minhas mãos seguravam a cadeira como se ela fosse uma bóia para um náufrago em alto mar - parou! Então, va-ga-ro-sa-men-te puxa minha história e vai colocando sobre a mesa, figuras estranhas se apresentam, certamente possuem algum significado relevante, mas permanecia em silêncio com uma calma que seu…

"Letras de neon em cada frase"

Tu consegues me deixar mal, juro! Nunca amei mulher alguma que me deixasse mal, mas contigo difere: tu me atiças, me ferra, prende e encera o parquet da minha poesia. Fico perdido, apaixonado declaro que sou um inexato homem vendido ao teu próximo dito. Por que me judia assim, pisa, acaricia, excita e imola? Nem é the end pra fugir e comer pizza de lombinho e escarola. Ora essa, te chamaram?! Pra que pressa? Tira essa roupa de trabalho, atira as meias no chão, o sutiã na minha cara, ama baixinho ou grita em anúncio aos vizinhos desse puro sexo pra nascer neologismos na nossa língua molhada. Sinto medo de não te ler, volta mulher, preciso te beber, tocar na tua pele e anelar teu dedo certo. Bi-polariza nossa relação, combina os pólos e conduz a energia nos fios da nossa nobreza galega. Confessa, sou teu padre em gaiola de mogno, conta teu segredo mais guardado, guarda a insegurança da passagem, pra nós, só reza braba, oferenda de sacrifício e os Santos nem lembram mais disso que a gen…

2º andar, 201 - das Andradas.

O interfone do prédio ficou sem voz Aguardava que ele fizesse algum som Que apitasse alguma coisa Definisse um chamado pra destrancar a porta. Não.
[Foi-se o gás da água mineral (e também não voltou mais) A geladeira esfriou sem comida Escureceu a rua de dia Acho que era mesmo um  temporal que vinha, Mas eu dormi antes Encostado na parede Agachado na vertigem da espera. Assim descobri por ti: Sou um achado Disputam compartilhar meu espaço Dou um espaço e disputam um achado ainda não compartilhado.]
Daí vem de longe um eco rasgado O interfone foi tomado de um medo cego Tremendo pedi um nome E que subisse com muita pressa. Doutro apartamento, não sei qual Mas enganos acontecem Entre! – esteja à vontade Mata esta ânsia,  já nem mais saudade
- Estranha.

Tíret Kribz

O desconhecido me arremata baixo preço, sou um leilão diário; não de amor - que é sacrário, um quase excesso de novidade: o terço arrebentado de um vigário ateu.

Dos dias que são gelados

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Da minha boca sai mais fumaça que palavra, meus lábios racham e meu coração se mantém congelado. Nunca presenciei um frio tão forte, jamais usei tanta roupa como agora e meu corpo todo se contrai no reflexo de reter o mínimo de calor. Um cobertor velho faz o papel delegado a um corpo feminino, eis-me só: resultado dado aos felinos de mau amor. Uma caneca grande de chá de hortelã, quente como o fogo em si, e o banheiro é neblina pura tapando a visão da nossa nudez crua, na rua eu nem apareço para que o vento não me corte ao meio, me despedace, vento açougueiro que é. Insisto na idéia que o muco escorrendo pelos nossos narizes é o cérebro se deteriorando a baixas temperaturas, por isso ficamos mais tolos, fazemos ainda mais planos e tudo é acrescido sobre aquilo que não nos pertence. Manteiga no pão e a de cacau nos beiços a desenhar um sorriso transparente, manta enrolada no pescoço - hoje em dia ninguém se enforca com gravata -, beber chocolate quente, sempre confessando estar descont…

Brotherly love

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Sentei-me ao lado dela na cama, resgatei da cabeceira um livro de poemas e li até que o dia clareasse. Ela dormira depois do terceiro poema, a quarta estrofe da página quinze, mas eu permaneci ali acariciando aquela barriga redonda e bela quase cantarolando rimas tão rimadas. Observa como o poeta desdobra o fato e muda para um rumo novo - sentia um chute de leve na palma da mão como a dizer: continue, estou ouvindo, leia mais, leia baixinho que ela não acorda! Entoava, então, com toda alma uma leitura sussurrada para aquela prole ansiosa. Bebê avesso ao sono e ao tempo que se perde com o ócio inútil quando o tempo perdido nos deixa arrependidos por não recuperá-lo mais, não admite que a vontade se reprima e que a aspirina sobressaia à biologia.  
Nasceu, cresceu e aos treze anos regou os jasmins que perfumam à noite e sentiu o corpo febril de ver coisas que talvez não existam. Aos dezesseis pegou meu carro dirigiu duas quadras e perdeu a virgindade um mês depois. Ganhou um par de botas…

Faz parte do meu Show, meu amor.

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[Ao Poeta do Rock]
"Enfrentar o palco para mim é tudo. Aflora um lado sensual meio incontrolável. Às vezes, entro de pau duro, a coisa pinta até antes de subir ao palco... Outras vezes, entro morrendo de medo, mas, cantando solta a tensão. Sem brincadeira, é lance sexual mesmo. Fora do palco, sou tímido, um menininho, me sinto profundamente desajeitado. Mas, no palco, sou um Super-homem, de pôr a capa e sair voando. Sinto o sexo aflorando, olho para as pessoas e sinto que tem uma coisa também, que volta em resposta. Porque estou mostrando uma coisa bonita que eu compus: não sou humilde, gosto mesmo do que faço. É muito o lance do prazer, eu e a platéia transando pra caralho". - Cazuza
Eu penso que o tempo vai ficando amarelo com o passar do tempo, por isso é que a gente não pode ficar em casa esperando que as coisas aconteçam, rezando pra que o nosso par ideal apareça, permitindo que a nossa bunda cresça na constância de estar sentado. Já basta o mundo girando sem sai…