Virar Tatu


Rateio a mim mesmo, despedaço-me quando enfermo, e, às vezes, sinto vergonha de ser humano. Nessa correria tamanha, tenho o tempo de sobra escapando pelo ralo, fico renovando gargalos de vinhos nem tão finos e compreendendo destinos dos que já passaram por mim. Se me questionassem o que já vivi diria: um grande amor, uma grande decepção e centenas de outros dias que se sucederam. Sim, eu entendo que nada possa ser tão trágico e lamentável, mas não obtive nenhum estímulo razoável, para otimismos sentimentais. Poderia comprar um carro, tomar um porre e ter alguns surtos psicóticos normais, tudo estaria certo. Então o fiz. Gastei gasolina, entupi-me de bebida e dei motivo para alguns risos. Tentava era fugir um pouco, dizer: eu amo este mundo inteiro, MAS PRECISO VIRAR TATU POR ALGUNS DIAS! Esconder-me na toca, repousar no subsolo dos sentimentos consistentes. Quero estar só e quieto lendo versos e reversos de moças poéticas, estatuindo faces renovadas para minha arte desgastada e palavras novas na minha prece maquinada.
Desfalecido está aquele que não mais pode contar coisa alguma, que perdeu o ritmo, a rima e foi-se à bruma.

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