Dinamitar-se.


Toda essa gente é igual, diferem pelo estado de conservação e nível de embriaguez. Assim que é o mundo original, nasce pela madrugada envolto em fumaça e pedindo uma cerveja mais. Paraíso promíscuo que me leva cedo ou tarde, tente eu ser quem preferir.

“A realidade não é poesia nem tem desses teus eufemismos!” – escancararam para mim certa manhã pós o bom dia. Fiquei furioso e lancei algumas verdades incertas: afligia-me ser sabedor das deformidades nuas. 
Penso que aquele que ‘vive’ vai pra todo lugar e permanece em lugar nenhum, sempre é ninguém, porque descobriu como ser todo mundo. Os desconhecidos no percurso são meio-insanos que buscam pitadas de felicidade. O importante é que nunca precise dizer seu nome, dê sua alma presente e não há complementos necessários.

Optamos por essa perspectiva aviltante de ver semanas que começam e terminam inertes, quando o desejo de todo homem é fazer estardalhaço, dinamitar-se como se não pudesse ir muito além de seu futuro imediato. 

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