Do Mar


Assim, compasso bossa nova
esfregando tua derme na minha
pra ver se tonaliza rosa.

Vou brincar de escorregador
pelos declives do teu corpo
costurar desejos
descartar idade
deslizar nas avalanches
da felicidade.
Tem de ser agora, antes de ontem
ou desde o momento em que outrora
já detinhas sentimento por mim.

Mas por enquanto permito
que defendas minha causa,
desnude minha vida
corte minhas asas,
e se em breve tempo
agradar-te de outra
demito minha alma,
ressuscito meu carma
e sigo só carne.

Enfim, sou isso,
torto e poeta como tu:
Na realidade de qualquer um
na vida de todo mundo.
Mas nunca estou presente,
não perpassa minhas vivências
e nem sequer escrevo,
é o personagem que se narra.
(Como agora: ele ama-te.)

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