Rasuras no cotidiano


Chego à parada e aguardo
condução pr’um encontro futuro.
Entro no jornal e leio o ônibus,
atordoado, trocado, vale-passagem
e até aqui Cobrador é mal encarado.
Óculos grandes, bifocais,
com emendas de fita adesiva.
Levo um aquário debaixo do braço
e um trunfo escondido na manga.
Procuro alguém que caia feito peixe
e aposte comigo um feixe de amor sólido.
Sou de gêmeos porque minha mãe
deixou de ser virgem. Vivo assim,
pois sem tudo tenho o nada
e vertigens no quinto andar.
Pulo infortúnios e guarneço meus punhos
com os ponteiros do tempo
insistentes nos mesmos números.
Trabalho tanto quanto devo
me divertindo tanto quanto posso,
Não perco a piada! Mas sim,
Já perdi mulher, carro e espingarda.
Sou um índio branco,
Um velho manco,
Um homem sonso,
E um moço bom.
O meu casulo é um guichê,
retire sua senha.

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