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Mostrando postagens de 2010

Maria

"Then i kiss your eyes and thank God we're together" (Aerosmith)
Vista de longe a certeza não era plena, tanta gente míope e eu totalmente cego de amor. Isso sim é clichê: amor tá fraturado, saturado e raso. Ainda assim, sem vocábulo mais preservado, era o que havia na total ânsia de estar próximo. Procuro sempre os olhos, a pureza do espírito, e os teus estão verdes para devolver colorido aos mundos que invadem permissivos à felicidade quando acompanhados de sorriso. Mas sabe como é desarmar-se diante d'outro? Pois é; meu estratagema de sobrevivência emocional ruiu e fiquei rendido ao teu lado e desejo. Por isso deixei que ficassem largos os minutos em que pude desenhar os contornos da tua face com meus dedos, tua boca me tomando por inteiro e o cabelo amarrando minhas mãos junto ao teu corpo. Sem ambição ou promessa qualquer, participamos um da vida do outro desbravando-nos em segredos e carícias. Somos cinema e pipoca, um filme antigo, uma natalina bossa nova.
As pessoas se revelam na liberdade de existirem segundo suas próprias escolhas.

Orgulhosamente apresentaaaaa,

um devaneador e sua caneta bailante no branco da folha pura,  inspirado em um pincel que coloriu uma imagem dolorida de vida.


CANETA, LENTE E PINCEL 
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Texto:
Atroz, Luz e Sombra
Ergui uma palafita furada de cupins na revelia que o mar azul dos teus olhos trouxe em dois terços do tempo que durou minha reza platônica carnal. Tinhas esse indômito instinto de criar e procurar distrações em descobertas novas e foi assim que me tornei campo de análise e exploração desta tua ciência insana. Tubo de ensaio sobre a mesa matinal, nosso caso não era teatral, era uma...[Leia mais...]



hei, me engole vai!

"Over the hills and far away,
He swears he will return one day" (Nightwish)


Terminei com o Rubem (Fonseca), dissequei o filho da mãe com o mesmo ódio que ele usa ao escrever essa putaria enfática da miséria humana. Tomei nota à borda do bloco algumas palavras novas para engodo dos tolos.
Sou o discípulo das veneráveis ninfas verdes que dançam na minha mente depois que a sede saciou. Ab-sinto. Danço simplesmente quando o quadril consente o movimento que desejo, e encarna o santo que sabe o canto do corpo vivo e erétil. Minha jugular inchada do oxigênio lava as bobagens no meu cérebro juvenil marcando o pescoço já roxo do fogo corporal de quem ontem compartilhou lençol. Dias bons correram despreparados, mas agora minha agenda anota compromissos por si mesma requisitando a atenção que ainda não soube dar. Ausentei minha transe destes terrenos, fui pastar um pouco: limpar a mente. Agora retorno, percebem? Oi, eu aqui! Peso no papel, minhas cuecas balançam ao sabor dos ventos se…

Pequenez Sognante

Grandes e fartas emoções Loucas e despropósitas apostas cegas Atormentam minhas hipóteses de sobrevida Ultimamente tenho sonhado Com gente que sei nome e cor do olho Inteiramente deslizo na verve da esperança Alimentando torpe sentença de desalinho.
Tanta gente tenta sem saber Enclausurados na mesmice dos dias Acrósticos na releitura vertical Mais felizes ficam quando descobrem Outro sentido pr'aquilo que sabem

MUITO.

Louvor e Lamento

Amor, amantes, a menta. Às vezes enjoa, às vezes alimenta.

Vida Real

Quero fazer um filme, longo em metragem de amor, sexo e estupidez humana. Estou feliz feito canário ao som da gaita de boca, família reunida e carne assando no carvão de pouca brasa, calor de ser amado: pai e mãe é experiência primeira de afeto e "todo sempre" é seu tempo de duração. Não troco por nada, nem por excesso de álcool pela madrugada, nem por fartura financeira ou mudas enxertadas de jabuticabeiras graúdas. Eu quero contar que dei valor aos que me amaram por inteiro, vou denunciar a qualquer um que minha teimosia era inteligência forçada pra fazer o bem maior, vou mostrar meu sangue fiel e vou dizer que no sabor amargo do fel o açúcar é troféu de sobrevivência. Estejam perto os que compreendem meu defeito maior: sou temor e desejo, impulso e brotoeja no verão de janeiro. Olhem bem, levo jeito pra bancário? Dúvidas que hajam, tenho aprendido cruzando por cadáveres que realmente a vida é feita de etapas, acreditem em Deus na entidade meia-pá ou nas margaridas do meu …

Passar / Café

Aquele que ultrapassa a própria acepção e desembarca nas possibilidades infinitas de ter em si aflorados os devaneios alheios, aprende o contorno de sua personalidade e se permite viver a inter-subjetividade de forma mais intensa e construtiva. Cada um existe no tempo do sentimento que desperta n'outro.
Eu gosto de gente boa, gente feijão com arroz e suco de laranja, com suingue de índio branco audacioso. São essas as pessoas com as quais me identifico e escolho ter próximas da melhor e mais viável forma possível. Foi ontem que eu estive lendo um desses best selers que não nos deixam entender porque tanta gente compra literatura ruim, dai parti pra quem escreve com o tesão da descoberta, quem escreve com paulada de ódio ou mel do fim de tarde de quarta-feira e lá estava Leticia Palmeira, Sonhadora (fiéis leituras) e meu estimado amigo Jhony Rodrigues Pereira, ascendente intelectual e jurisconsulto promissor - não tome como derrame elogioso, mas sim constatação - escrevendo novament…
Cristiano mora no segundo dos três andares daquele protótipo de prédio, e todo vizinho possui um cabo de vassoura como artigo de sobrevivência urbana. Cris tem um carrinho de rodinhas e quer brincar pelo espaço de sua casa, então se aproxima da parede e com os pés nela, flexiona as pernas para dar o impulso do passeio. Ele tem cor, diferente do cinza das pessoas sem brilho, cor que eu não tenho, mas pra mim tem tanta cor no mundo mesmo que não faz a menor diferença. O problema é que ninguém quer barulho, acho que essas pessoas todas tentam escutar aquilo que inutilmente seus interiores comunicam, mas não há diálogo e ai está todo o desencontro de personalidades, intelectuais conhecedores de cinco idiomas desconhecem a língua para tratar consigo mesmo. Dinâmicos e festejantes, Cris olha nos meus olhos e diz que aquele que nos vê agora não imagina nosso padecer passado. Foi o vizinho de cima que chegou a sua mãe e "ele vai ser um futuro bandido", ela chora, ajoelha e contrapõe…

Desfeitos

Talvez um século. Talvez uma vida. Não sei ao certo quanto tempo duraria, mas ao fim ele me removeu do sonho e me indicou o abandono como o quarto ao lado, mobiliado e claro na cor pigmentada do mármore. Estapafúrdio homem de seus tantos sonhos e ambições, na ânsia contínua de percorrer vias duplas que não convivem em paralelo. Eu queria seu tanto de singelo amor em tigela de porcelana como lanche da manhã, uma maçã do pecado e o instinto latente que me levasse ao errado pela fome do veneno que só em ti encontrava.
Ela nao era esposa,  era mariposa. Eu não era luz,  era lâmpada.

Gastei tanta palavra por gastar

(Só o amor mensura o quão humanos realmente somos.) Não era bem o que eu precisava ouvir. Pedinte de socorro, brados pulmonares retumbantes reverberam nas montanhas que me escondem, sufocam. A chuva precipita sobre meu cabelo e só meus olhos regam o solo seco de novembro. Surdo, mudo e debochado, quero a espada, a guerra, a sangria dos ímpios e desmedidos. Engarrafo óleo de ódio mais refinado e menos ácido que qualquer pé de oliva grega pôde produzir nos vinte séculos cristãos conhecidos pela raça lógica. Tua formalidade mesquinha aniquila toda intenção de afeto que surge em mim, não posso convencer teu silêncio do contrário, tua falta de expressão e ternura é gelo que me lança longe da presença que tanto meu corpo pede agora. Então estar próximo não é desejo, nego convites sem receios, desaprendi a ser o que jamais fui, não mais transito buscando encontros propositais, não mais enalteço todo o carinho que permanece nos indivíduos mentecaptos. Revoluções que cessem, que eu pare de qu…

Coletânea de Antiguidades Poéticas

E quando vos esbanjardes nestes banquetes que o amor oferta, tende prudência. Como se ainda não dito, repito, a fim de que não esqueçais: não fazeis de outrem vossa idealização de mundo, noutro não se encontra a perfeição senão em vós. ________________________
Pense, que coisa louca o fato de você estar influenciando a vida de pessoas. Mesmo que esteja indiferente, ou isolado, a sua imagem direta ou indiretamente é atuante na vida de alguém. Bem, a tática, então, é ser conscientemente expansivo em influência construtiva. Tudo que você faz, pensa e escreve de alguma forma interage com o Universo que há em outro ser-humano. _______________________
Bons ventos nos trazem. Bons ventos nos levam. A gente é passarinho, A gente vive para amar. __________
Pois sim, "temos a arte para não morrer da verdade". Desastre aos Artistas que são de plástico e remetem amor ou sarcasmo de superfície em seus discursos perturbados. Removam-me desta camisa de força, não existem amarras pra minha insanidade…
Um tijolo, pequeno e duro, e outro, outro, cuspe pra fixar. Um tijolo, outro, outro, e outro. Meio tijolo, inteiro, meio tijolo, inteiro, meio tijolo. A porta, tijolos, a janela, tijolos, o banheiro, tijolos, outra janela, tijolos. Maison em francês, construída e pronta com paredes ornamentadas com gesso e todo detalhe que se tem direito na arquitetura contemporânea. Tudo é construção, todo homem nasce pra ser pedreiro. É erguer algo aqui, quando outro ali se desmonta.

Dado Viciado

Carreirinhas desfizeram minha carreira, agulhas roubaram a linha da minha profissão seringas em consolo é ouro de tolo fracasso todo do sujeito fraco. Olhos azuis à sombra de olheiras, veias sobressalentes nos braços, fechadas hoje, abertas ontem na injetável viagem de risco terminal. Corpo sem cor do bronze solar, meu banheiro é fechado, meu quarto não quer ninguém adentrar, fede a enfadonha praxe de estar calado. A rua é noturna e na esquina eu tombo de bêbado, louco e não sei o quê, pus na pele e sangra o corpo afasta mulheres e carrosséis de fogo, sou vendido e nem clínica voluntária me compra, casas de família, bares e todo canto dois reais, um tanto de caridade à fissura? Em cambaleio, internado, preso, prédio branco e gente doutorada, drogas lícitas pra tratamento de vício indevido indivíduo.

Não preciso de modelos, não preciso de heróis.

Escritores estão acima do bem e do mal, de toda dúvida, são o marketing do reino absolutista, escritores são deuses esfarrapados tecendo passado em papel. Não há ridiculo, há afoite e exposição.

Escolha implícita

O celular tocando e eLe quer conversar comigo. Namoramos a algum tempo, sinceramente sinto falta da presença deLe bagunçando toda essa coisa de mundo. Já Ele não liga, raramente ligou, mas converso também através dessa ineficiente aproximação virtual. Disse algo, mas eu não vou ler, aquela luz laranja pedinte no canto inferior da tela e Ele não gosta de esperar minha resposta, o problema é que não vou falar com eLe e com Ele ao mesmo tempo, me sinto mal, é como se eu estivesse transando com eLe no quarto enquanto Ele faz o jantar na cozinha, estaria fazendo o jantar pois Ele tem essa mania de sacrifício pelos outros. Até não costumava comparar os homens, mas hoje em dia eu comparo, tô nem ai, sabe? eLe, por exemplo, deu-me uma nova visão das coisas e me apresentou um turbilhão de sons guitárricos, Ele não, bem menos intenso que aparenta ser, manso e de pouca emoção, claro que é legal, nem disse o contrário. Atualmente eLe é amigo, tenho muitos pra que eu não morra na carência dos pico…

Antro pocêntricos

Suportávamos-nos por pura conveniência. Companhia para contar e ser ouvido, só isso, porque raramente concordava com o que ela dizia. Por certo não deveria estar ali, sentindo o limite deste curto espaço de pensamento, sem discutir com alguém que se incomoda ou delirar com alguém que se alegra, conviver com zumbis é estágio muito avançado para mim. Tenho percebido que a última moda é ser desleixado, nada com nada e tudo fica bom, calça rasgada não importa, mas cabeça idiota faz estragos no futuro de um homem e ninguém compreende quando digo. Shift Home, voltamos ao começo que negligência é subitem de culpa. Homens com dinheiro andam sós, afeto não se compra, porque ninguém o vende. A solidão é uma característica inerente, a vida nos dá e depois usamos segundo nosso instinto, fica ali, em um compartimento específico, é uma massa de preenchimento pouco densa. Se você não leva a vida com doses cavalares de emoções, certamente vai usar esse preenchimento pobre para tentar se auto-satisfaz…

Dêem vivas à revolução!

A juventude se mata,
morre burra de liberdade nas vitrines da rua principal.

De:Para:

E eu não sei amar, não sei ser bom amigo nem permito que se apaixonem por mim. Sou um espécime raro, o maior miserável que já desenhou uma casa pequena com um lago vindo do seio das montanhas em uma folha de ofício. Não sei da morte, não sei do sucesso ou do fracasso e não lido bem com nenhum deles, não sei ler a linha das mãos ou confessar a verdade dos meus sentimentos. Não sou um bom homem, não sou alguém que outro alguém possa admirar, não sou rico e meu cachorro rosna o afeto que me guarda. Sou entediado, não bebo cachaça, não uso drogas, não atendo o celular, não arrumo meu quarto todo dia, não vou a festas e escrevo mal. Sou fraco, magro e sem graça. Meu cabelo é escuro e grosso, parece um capacete natural, sou meio burro para cálculos fáceis, não rezo toda noite, não leio a bíblia e cobiço a mulher do próximo. 

A propósito, eu sou um homem imperfeito.
A vida sempre tem um monte de coisa, das quais a gente poderia ser poupado, mas você não quer ser poupado, ninguém quer! Pelo contrário, todo mundo quer ser gasto, poupar a gente poupa luz, papel higiênico, sei lá.

H2 e Ó não entrou na história

Bebi água. A muito tempo não bebia, 22h 57min de sábado à noite eu senti meu corpo recebendo um líquido bendito armazenado na geladeira em garrafas plásticas verdes. Pude sentir o gosto, sim, sei que ela é insípida, até eu sou às vezes, mas aquele gosto de "sem sabor" lavou o amargo da minha língua, esôfago e pupilas comprimidas dispertaram os olhos para que voltassem a jorrar de vida.

Crime literário

O crime literário acontece quando o escritor padece, e desfalece com toda dor, escrevendo para ser de perto o pior artista já lido.
Não há coisa pior que auto-mutilação poética (dislexia?) fraturas na camada óssea da rima.

Reconhecidos

Ela está em declarado estado de emergência, mulher de calamidade pública e umidade púbica que me ama enquanto da narrativa de morte e desgraça diária do William Bonner no jornal nacional. Sofá e faço sala pra abelha rainha, ela só faz charme nesse ciúme agressivo com geminianas que erguem pára-raios na minha tempestade de hormônios juvenis, crio um anexo de orientação: "como ser feliz ao lado de uma mulher perfeita", não pense que é fácil com açúcar e frutas que se come em dupla. Na fila do centro de saúde ninguém me disse que o segredo é não abrigar o que incomoda, não dar encaixe à peça falsa, você precisa manifestar o descontento para que não constate que a presença se tornou insuportável abrindo uma cadeira de praia no parque no auge do declive dos seus setenta e dois anos. Tornado de vento forte ela me destelhou a total capacidade de avaliar onde termina o sentimento e se há cores que não  azuis. Nem tudo vem ao caso, mas o acaso muda o fato, porque ela vive com sapos, …

Lábios de Vênus - átomos sexuais

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Tédio não, não me tire de casa para o tédio. Sei das pessoas pela forma como caminham, as pessoas são formigas e tenho alergia a abelhas africanas. Claridade não me deixa à vontade, luz nos olhos e uma chuva de indagações a respeito do que acredito, dos crimes que não quis cometer, das mulheres que dispensei comer e dos diários roubados de vítimas fictícias. Movimentos sazonais de turistas e existem duas estações na minha temporada, diurna e noturna, a primeira serve para o trabalho e reflexão, celebrar a miséria humana, a outra normalmente agrada mais aos amigos e sexo feminino em estado vegetativo ou negligentes do próprio estresse positivo. Ela pega um cigarro do meu maço, sopro a chama do isqueiro para provar que o desejo de a(s)cender nos move mais longe. Fico feliz, claro que sim, com toda essa coisa imprevisível de te ter como "comprimido de avesso", um beijo e tua boca me faz bem, quebra-cabeça montado longe de ti, perto perco as peças e me embaralho todo. Sou viciad…

agatho démones / caco démones

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Demônio, entidade maligna que assombra com cara de anjo falso e mata de assalto a esperança de tudo ser melhor para qualquer alguém. Disseram que o mal escuta musica clássica e lê Nietzsche enquanto as coisas se colidem, destroem, incidem na dor que enfatiza as premonições de amor. O mal sente tédio na igreja e sacia a sede bebendo água benta feito cachorro no recipiente da entrada, tem nojo do mendigo que mendiga tudo que poderia ser roubado, resolve a fome na óstia sagrada e conta ao padre piadas de argentinos surdos. Mas pelo funk tem afeto e pecado é seu discurso público. Incontidos risos e movimentos de sobe-desce o Demônio dança nádegas que buscam seu órgão principal de festejo: delícia. Ele dá gargalhadas, o Diabo tem dentes e não vai ao dentista, suga tanta aura boa de pouca saúde psicológica e toda realidade segue em ordem cronológica o conhecer esse outro lado macabro da sensação. Toquem as cornetas que o Encardido vem visitar, abram as janelas que a escuridão escorrega pela…

En la peluquería

No "sempre criar" fiz uma estatueta da Nossa Senhora Aparecida, do Sagrado Coração, de um Grego nu com um livro em punho e de alguns traumas em bronze na minha alma. Assim sou artista, sou traumatizada e tenho tarja preto para casos pequenos que mexem com minha calma, ficam sobre a geladeira com o guardanapo manchado de vinho. Homens não, faz tempo que não, sabe? Mesmo assim cozinho as batatas do rosto cosendo um colete pro moço chamado Armando, nova tentativa - tira-me o fôlego esse tal, constrangida mudo de cor e é vermelho o líquido que me irriga o corpo. Agora outro enfrentamento de meus receios com as práticas normais da vida humana, todo dia tenho três no mínimo: dizer bom dia ao chefe de pouca conversa e muita conserva, almoçar e aceitar carona da vizinha siliconada dona do jardim mais bonito da rua. Tenho me saído bem, mas tenho saído pouco. Dessa feita, sento com medo e vejo na parede penduradas tesouras de todo tipo e navalhas de bom fio, secadores de cabelo e …

Apetrecho

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Há quem prefira o silêncio e vive em sua caixa de sapato fechada na prateleira, rezando para que a poeira não cubra o coro da sua feitura: desdobramento de um argumento de Letícia. Porém vai bem à frente disso, e por xingamentos e pedidos de amigos, leitores e paixões de palmas suando frio, resolvi pagar o preço da crítica e da emoção instantânea re-ofertando os comentários dos passageiros que me passam. Comente quando quiser, o meu usufruir será farto, aos que enviam e-mail e preferem dos laços mais estreitos, cá estou abanando um olá!

Balada Maçã

Uma sauna com ondas sonoras constantes e ensurdecedoras, homens, mulheres, flertes e enfeites na roupa, movendo os quadris, erguendo os braços, rindo um troço forçado, olhando para o alto de luzes danceterianas, sorvendo destilados liberados até as duas horas. Estamos em tempo bom, pessoas disputam a embriaguez, fumam suas misérias e rejeitam suas mazelas como pão velho para o burguês. Nós pagamos a diversão, e muito caro - diga-se de passagem -, trabalhamos sentados em cadeiras de estresse, operacionalizando a dinâmica de uma sociedade moderna para, enfim, usufruirmos de um lazer tom sépia. Que cante e exploda, atire-se no chão e se tiver vontade agarre, para que tanta barreira de contensão em si próprio, e essa gente ainda se gaba dizendo que a vida é uma só, estão esperando o que para aprender a gozar saúva no espírito? Leio meus e-mails e grito aos vizinhos com uma gaita de boca fanha que "hoje ele está alegre", então todos vêm para a sacada e me ouvem até que a janela se…

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Nem tudo que se guarda, azedaria fora da geladeira.

Tuuuuuuuuuuu

À noite eu não existo, sobrevivo em silêncio. Sol caído e faço espera pra’quela que me vela acesa de tesão e dor. Imito bicho selvagem na sobra aromática da minha luminária, urgindo um compromisso de vaidade e ternura. Acordo torcicolo e psicóloga não cura ou encurta distância de bem querer alguém que existe de longe. Impotência do abraço com o reflexo de números discados atônitos na fome da voz que raramente se ouve. Ligo segunda, às vinte e duas horas palpitares da minha saudade.

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Senti medo, muito medo. Quando vi a descida íngreme e não havia freio para minha pressa de viver. Só pássaro que voa, você não, você é passageiro, não confunda o tamanho do abismo com os centímetros da sabedoria. Qual é o itinerário? Não entendi quando ele me veio, escrito bem grande em vermelho: CUIDADO. Mas como poderia ser assim, sem aviso prévio, salário a receber e contas a negar, faltando a oportunidade de morar noutro fuso horário e descobrir que um país tem céu, inferno e coxas picadas por pernilongos? Algo em mim agora está menos acordado, sem os números certos da mega-sena eu morreria pobre de lhe ter por perto, joguei cantando em latim para que a boa sorte me escutasse. Sinceramente não tenho visto mais poesia nas coisas, esvaiu-se minha inspiração e pretendo escrever novela até o fim dos meus trinta e seis próximos minutos, por puro rancor, revolta, só para provar ao mundo que não me importo com o futuro da Arca de Noé.

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Todo tempo do mundo para ti, Marina. E até logo que nunca mais te vejo nesse bonde oposto que tomo, Antônio. Oh, querida Virginia, acredita em búzios e cruzes que lagarta enorme na minha salada! Odeio gente nojenta... - ela ia dizendo e se perdeu de mim na quarta tenda de artefatos indianos. Todos os motivos do mundo para teus olhos inchados, drenagem, sacanagem e vocês só pensam nisso mesmo. Não havia pensado, mas você nem se importa com isso na verdade. Foi a vidente que disse: ajude o destino, menino! E se quiser saber estarei por lá no sábado dia vinte e cinco, pouco alcoolizado, com um sorriso comum e duas pernas dançantes em todo quadrado que houver música. Grite para mim, por favor, levarei o cardápio com opções de pratos raros e toques suaves de manjericão. Peça para que eu sugira, sussurre, induza. Não desvie o trajeto do desejo. Marina, o que você pretende afinal, dois copos e um abraço, bocejar e ir embora?

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Não sei se me escondo ou fujo milhas em qualquer direção. Sento à mesa e o manjar desce pedregulho como a muito não sentia. Todos baixam a cabeça e a mulher que senta a minha esquerda faz um gesto em negação para aquilo que o homem da outra ponta fala em provação, a minha direita a moça come com um asco atenuado deixando transparecer a vontade de estar noutro lugar que fosse mais arejado e agradável. Respiro e dou uma mordida no pão caseiro, um gole de café com leite e que habilidade extraordinária desenvolvi de fugir para outras dimensões. Os cães latem em volta da mesa e pedem um pedaço de comida, uma sobra do queijo, da mortadela, um resto de piedade e logo alguém esbraveja para que fiquem em silêncio. Ele diz mais alguma asneira bêbada de vinho branco e chama meu nome na língua enrolada, o espírito desce ao corpo e dou um salto de realidade, levanto da cadeira sorrindo e concordo com aquilo que ele havia dito levando um palito de dente até a boca. Pedem pra que eu minta: vai, elas…

Compressores Psicológicos

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Colhi a madeira boa dos armários velhos para construir uma casa de cupins celestiais. Minhas espinhas estouram contra o espelho, o qual condena a beleza que pouco tenho. Cruzo as pernas e filtro o que ouço de desacato como fuligem da fumaça. Há sucata no meu quarto, sou eu fantasiado em trapo, e folhas de papel que forram a parede de tijolos com sabedoria concreta, uma bola de cristal, a capa de ritual e compostos armazenados em meu baú celta. Espasmos quando quero que de plasma seja minha (tele)visão, pasmo faço aposta de arrombo da massa substanciosa que me sufoca. "Cancelar procura" e clico sobre, esse botão poderia existir na minha vida quando não encontro o item cobiçado. Mas dos teus respeitos eu entendo, subtenda ideia de mistério certo, impulso sobre húmus, desliza a hora, arreio firme para esse animal de pouca doma que sou, bússola para essa perdição que me provoca, lambada e coxa, lambida e fixo, bebida e arquitetura diferente de planos igualmente subconscientes.
M…

Descanso

Todas as luzes acesas para não dormir, holofotes, helicópteros, binóculos como óculos para ver o que está além dos morros, adrenalina e glândulas supra-renais regurgitando a química da reação. Som alto, carro rápido, correndo eu não capoto, aquaplanando sou lancha com motor de popa da manga, parado paro e não tenho engrenagens lubrificadas de abraços. Não há como optar por agir mais e falar menos, lamento. Perca-me se preferir, faço minhas escolhas e cumpro minhas metas - não as promessas. Suba no bonde quem quiser, homem ou mulher, mas não transo com os primeiros. Canso. Canto para não desmaiar lendo cálculos financeiros e sou branco da falta de almoço. Relatórios, siglas e rentabilidades fartas, invisto no mercado futuro dos bovinos de papel. Às nove horas sou estrada e meu caminho é para cruzar o teu, viajar com tua imagem desenhada do meu lado, tão feliz que soa indecência da minha parte. Conclui que ninguém fala meu idioma, não riem da zorra que é suas próprias vidas e permaneço …

Abra - Deturpações de um mês

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Setembro. Abri um sorriso e era amor. Abri a janela e eram laranjeiras floridas com abelhas faceiras. Abri a porta e era a rua cinza, com curto raio de peneira aos homens de sucesso sem decréscimo de auto-estima. Andei e não parei na cafeteria, não comprei livros de culinária, no cinema levo recipiente para pipoca e disse que ele morreria no final. Mocinho, eu escrevi a história, como poderia não saber? Fitou-me e antes de colidir com meus olhos observou a haste marrom dos meus óculos, em silêncio deu dois passos para trás e saiu em debandada até a mão do seu pai. Abri um sorriso e era carinho. Senti a persistente dor no joelho esquerdo e preciso de um guarda-chuva. Banheiro no caminho, a urina descendo pelo mictório, cantarolando ao som que fazia na lata, suspiro mau cheiro e papel higiênico para secar a ponta do pênis? Abri um sorriso e era graça, inclusive pela mulher ter encontrado a entrada errada. A chuva encharca meu sobretudo recém comprado logo que saio do prédio. Não, eu esc…

Praxes relacionais

Adoro o prazer e amo o que é êxtase. Ganha-se tempo com o advento da loucura compartilhada. Vem que tô pra aceite, não se prenda tanto a estes praxes relacionais. Pode ser melhor se for diferente.
- Olha aqui, não faz assim... Cola em mim devagarzinho, deixe que os lábios se entendam, não temos nada a ver com isso. Pchiii.. silencia em mim tua boca discursiva.

Homoafeto

Vai, perde o tempo que eu não perco, cria um medo que eu já tenho, faz de mim um desdenho aos ímpios cavaleiros cortejantes. Tenho em ti a esperança de um amor diferente com toda cor que o arco-íris tem.

comtodoprazer

Me cata, me acolchoa na cama, na grama, no mato. Me mata, me gama, me chama de rato!

Progéria

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Dor, angústia, desistência instigada pela doença atracada em cronismo. O olhar de brilho puro, a estatura pequena, espírito de criança e o desejo de ter um corpo imaturo na oxigenação do tempo se descompõem quando exposta a pele que enruga, os membros que atrofiam, a visão turva e audição comprometida. Jovialidade que envelhece e nem se distingue ainda o que é morte ou falta de sorte, Anomalia Genética é o nome do mostro do desenho animado e ele acaba derrotado, eu sei, sei que no fim ser raro nem sempre credita bons resultados. Não tem cura - disse o homem de branco, uma mesa grande e uma caneta no bolso. Conheci muitas pessoas que adorariam provar que ele mentiu  para mim e então vai ser a primeira vez que vou sorrir de entusiasmo pelo erro de alguém. Viagem aos Estados Unidos, hambúrguer e fritas, mas mamãe disse que toda criança precisa de limite, toda o quê? Quem é o destino fantasiado com as roupas das minhas bonecas de porcelana? Disseram-me que existe fé, mas eu só quero passe…

Rebe (pe) lados

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Discutimos sobre matar ou não. Se matar meu gato eu acabo com teu papagaio, e, ainda que fosse gato eu não acreditaria nas tuas papagaiadas! De piedade nem falamos, não há perdão para nós. Alguns hematomas de tombos, sintomas de incêndio corporal e a camareira encontrará a cama quebrada como nossos ossos depois da queda da sacada. Teu cabelo sob os puxões da minha mão, minhas costas com vergões da tua unha, o pescoço com o roxo da tua fome, no acostamento um encostamento e trânsito de entradas e saídas: selvagens em estupro-voluntário. Denunciados fomos presos portando um revolver de afeto com cinco projéteis intactos, passagem pela polícia, perícia em estalagens baratas, baratas guardadas na lata e o que aconteceu mesmo com teu gato, Gláucia?

Divino Contemporâneo

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Esses santos velhos canonizados na poeira inspiram uma vida em moldes valorosos, mas sob idéias retrogradas. Sim, por que não saímos montados nos nossos cavalos matando dragões com uma espada afiada, ou seria melhor se ficássemos nus e usássemos alguns panos de cortina enrolados frouxamente pelo corpo, um chinelo de couro, puxando mula de carga? Como assim inventaram o automóvel, só pode ser recente?! Moda, ensino superior, fazer comida, mulher trabalhar, de que lugar vocês vieram mesmo? Oh, apocalipse! Os pregadores liberais/libertinos reprimidos, anunciaram um Santo de calça jeans e All Star, guitarra dependurada no ombro, um alargador na orelha e metade do corpo tatuado. Experimentou maconha, fez milagres embriagado e freqüentou casas noturnas de bebida cara e fama duvidosa. E é do bem? Não há o que impeça.
Louvemos uma nova era, pois é tarde que a outra se encera.

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Mão com mão não reza: algema na cabeceira.
Pé com pé, problema: do corpo da cama.
Amarrada pelas quatro pontas: Retorce ou goza.

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Ela sempre vai e nunca diz tchau.  Logo volta e se demora me traz de presente a vitória  de saber que as coisas boas se repetem uma vez mais.

Glaucia Sognante - A metáfora.

Sonho é feito cadeira de balanço, que te leva para um lado e outro, um embalo morno que termina quando cai a xícara quebrando a ilusão que se tinha daquele ser melhor que a realidade da vida. Marco no marco uma meta e meta adentro sem dó, até ver completo o tubo de ensaio do teatro químico que há entre nós. De ti vem a combustão que tenho, uma inspiração que desenho em um quadro de letras grandes três palavras que ainda não disse: EU TEnho AMOras no quintal da minha casa, bem no fundo uma árvore vistosa e você sente o mesmo por mim quando experimenta este fruto.

Fofocaê!

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Não falo pelos cotovelos, falo pelos joelhos, sobre-conto o que já era sabido e coloco fatos novos de conhecimento exclusivo. Acontecido recente é do púbis rapado e axila peluda, Moisés disse que D. Ariscléia nua é um susto! Bem se via que andavam juntos ultimamente, sumiam repentinamente e dias depois mal se olhavam na cara. Levou tempo cortejando-a, viúva cobiçada e hoje é mal falada. Correu a cidade o boato e é por isso que tenho verdadeira aversão a gente alcoviteira. Um tanto de coisa acometeu minha semana e o vizinho Roberto também me entupiu de fofocas novas. Bem sabe ele que não gosto disso, escuto por educação, por pena inclusive, pobre homem tem uma esposa que se deita com metade dos vendedores da feira e a outra metade completa com os técnicos da companhia de água. Sede não há de passar, nem subnutre por falta de verdura. Mas não precisamos comentar a esse respeito, antes sim deveríamos criticar a despeitada dona da pensão, a fim de que fosse mais seletiva com seus hóspedes…

Ex.

Vi e vivi.
Vivianos atrás com Viviane.

Costureira - Ponto sem nó.

Pão de mel e
faz suco disso
que é laranja do céu. Paraíso, amor  e romantismo todo que dura pouco.

Percebe o indício?
Mulher sem véu,
sol de solstício
hemisfério só
o norte mais longe.

Linha sem carretel,
não há caminho.
Agulha sem linha,
não faz ponto
nem prende
perfura, sem costurar.

Entrevistadeu

Fui posto contra a minha parede imaginária, ainda surpreso - suspenso -, dancei ao som de indagações certas. Tiro longo, estrago grande e pedaços de mim apareceram para todos que quisessem ver!
O que existe neste, o que ele não deixa que apareça, onde é o vacilo do seu prazer? Descubra, se for capaz. Extasie-se, se puder.
CONFIRA, no Link abaixo, em entrevista concedida a Marcelo Novaes.
- Marcelo conversa com Tadeu Marcon -
Muito Obrigado! :D


Eu não vendo ideias falsas.  Só faço você descobrir que existem coisas boas e pouco caras. Compre se quiser!

Ego Grand

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É a mim que pertence o gozo e não sei bem se é pena ou nojo
o que sinto de quem se convence
que sente vergonha de ser  reprodução de Narciso.
(Poupem-me um novo rumor, já inventaram o espelho pra que ir até o lago?) O cronômetro corre
e se bobear a gente morre (não afogado!)
sem sinal-fumaça do ópio
que só faz quem é apaixonado
por Ninguém.

Além de si próprio.

"êra boi, êra boiada"

Pai, põe teu cancioneiro Teixeirinha pra tocar no som do carro. Devoto de Santo Antônio, corpo fechado, é um quase morto (oportunidades não faltaram), teimoso vivo conservado em vinho Niágara: "só pra saborear" - dirias, estalando a língua. Filho teu não é descrente, fique tranquilo se isto te aflige, sou moço bom que faz o bem de todo modo e cada ato meu tem o desejo de acrescer ao espírito do próximo. Prometo que hoje vou fazer o sinal da cruz antes de dormir, quem sabe até eu não reze um pouco em gratidão, acalma-te que domingo que vem estarei na missa contigo, vou sentar do teu lado e te ouvir em padre-nossos sussurrados. Mas conversa comigo, pai? Só um pouco. Pede que eu te pague o que devo com milagres, ou que interceda por ti junto ao Deus que ficou meio bandido levando estrelas pra fazer brilho no céu de junho. Destino insólito me fez alma-luz antes do tempo, não te assustes, por favor, esperança existe pra ser usada pelo pobre que não sabe da riqueza que guarda. Ass…

jato-engined

Sou geminiano ascendente de hormônios. Um inferno astral minha faculdade de sociologia nada prática, e teórica é a praxe do nudismo. Gosto de fazer esportes aquáticos e músicas, por isso sempre molha as partituras, as partesduras. Sou de uma Legião, sou exclamação e já sei o que eu vou ser do jazz que canto aguado.  Tenho nefrite, sinusite, bursite, mas você só quer minha estética diet, hetero de pouca ética. Porque o Zeus homoprofético é paixão de Daniel, tudo foi como ele queria, metrossexual e pradaria pra descansar.
Ah, que grande bela geração de meninos e meninas presos, bêbados e chapados! Contravenções penais, bi-anormais e prenda-os! É isso? Encarcerando o que não dá certo, somos cheios de masmorras úmidas na nossa alma, é esse o karma que Allan não disse? Causa e efeito, case sem defeito, cante e deite, compra e vende, canse mas tente!
Eu piso em trevos de quatro folhas cinco bolhas de queimadura da chuva ácida. Poluíram meus pensamentos e fiz dos meus fluidos querosene combus…

AbroaBOCAdabra!

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Na ampulheta fico atento  a cada grão de arroz, feijão, de areia que desce - ou não -, como se fosse descer pela minha garganta,  como se fosse semente e  fizesse nascer uma planta  no meu dentro: abrO a boCa pra que saia; em flor em galho  e sombra e chá, frutos meus de mim.
Tenho tentado definir se sou predominantemente uma Emoção, ou predominantemente um Sentimento. Isso altera nosso campo de visão, perceber as coisas pelo olhar da vida útil, menos ou mais perenes. Fato é que sinto como se algo percorresse meu corpo e REfizesse todos meus movimentos, REpaginasse todo meu grande livro de capa azul e escrito dourado. Não sei o que é exatamente. Você já se sentiu "bom"? É assim que me sinto, tão diferente perceber que existe bondade em si próprio, parece até socialmente repreensível. Ódio é gênero mais natural, morte, guerra e sanções econômicas ao Irã no Jornal Nacional. Hábito de maldade, sabe?

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E quando funciona um, o outro pifa contraceno sem que nada me inspire
troco as pilhas e calculo pixels
pra uma apresentação de baixa resolução.
A foto e a fita de vídeo,
cenas de plágio e vertigem fingida. - Um figurante, ProtAGONIZANDO!

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A caneta termina quando o poema começa na tentativa de impressionar, pressiono a escrita vou rasgando versos, arranhando a folha pra sangrar de tinta alguma emoção.

[E eu tenho apostado nisso]

Não crio tragédias, faço finais. Os finais não precisam ser trágicos, é uma questão de escolha. 

Expectante

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O segredo está em não criar expectativas. Ato impróprio para viver a realidade plena. Se não foi como você esperava, pois aí está o problema: esperar. Faça já, que o surpreendente não ilude!  Nunca fui homem ideal para me localizar no espaço, sou desprovido daquela bússola comum aos pombos, sei tão somente voar e todo galho seco é parada apropriada às minhas asas pouco aerodinamizadas, todo poste de luz aceita barro e palha do meu ninho-cafofo sem vista para o mar. Estou indo à Patagônia, um tanto a sudoeste do sul - disseram-me -, migro de tempos em tempos com não mais que a  pressa pertinente.  É o querer de que algo aconteça, ou de que algo seja, conforme nosso desejo que alimenta nossas decepções. A vontade de tomar tudo para nosso controle lança o desânimo de nos percebermos joguetes do tempo, do destino e desses fatores variáveis que escapam da nossa compreensão imediata. Não tente trajetos alternativos quando o que se tem é somente uma parada obrigatória. Placa de  carga e descar…

Lida de Campo

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Aprumo o chapéu na cabeça, calça certa, justa e reta pra não atrapalhar na lida. Camisa de seus quadriculados claros e bolso esquerdo pra guardar o maço de tabaco. Pulo no estribo do potro e dou coice no vento quando assento no lombo. Cavalga longe, vento frio na cara limpa, no alto da montanha meu sol nasce e pelo descampado a geada mata o pasto novo. Já fiz a silagem do mês com o milharal de vinte hectares deste perder de vista, mas hoje em dia a máquina faz todo serviço, ao homem resta ter capricho de manter no seco e ver o tempo certo de trabalhar. Aprendi que o silo se faz trinta dias depois de a espiga estar propicia pra canjica, com o tempo a gente descobre o ponto certo de evitar o mofo no coração bom. Vivo aqui, porque todo mundo quer ser urbanizado, o campo veio dentro de mim: gosto do capim, de amansar cavalo, da minha caneca de lata batida tomando trago pra limpar o excesso de poeira do gorgomilo. Assim vai, ô se vai! Duas porradas na mesa, o povo se ergue e salta pra trás…

Betina Duray

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Uma lista de compras e outra de manias.
Peço pra que apareça aqui em casa, das 8h30min às 18horas, sem fechar ao meio dia. Passo no mercado antes e tenho de comprar pão, alface, tomate, cuca, aveia e danoninho - que não é para mim, claro. E falando em mercado, abriram dois ou três na minha cidade, do tipo grandão que vende em atacado, fardos de comida, porém me deixam atacada, fardos de estresse, movimentados demais. Aveia é bom para ir aos pés, gosto pela manhã com mamão e que a sogra me perdoe, mas vou sujar a porcelana do banheiro dela se eu comer. Última vez usei bom ar, cheiro de merda com perfume. Lamentei e constrangi. Vou comprar um daqueles aparelhinhos purificadores, só que daí é pra rinite e não pra fins escusos fecais. Aliás, "quiçá" caiu em desuso, alguém avise isso ao doutor professor da minha faculdade. Tenho pensado em mudar o curso para Culinária, cozinho mesmo nesse calor insuportável do trópico de câncer ou capricórnio - gravei essa geografia? Vou dormir, t…