Aracno

Claudia Amarante
Um tapete circular alaranjado, deitado com os braços sob a cabeça olhando para o alto. A pequena aranha sobe e desce acompanhando o movimento do meu diafragma que comprime e relaxa os pulmões. Quando alacançava uma altura suficiente despendia do alto com velocidade girando verticalmente na própria teia, parecia brincar, atriz circense. Claro, falta-lhe alguns apetrechos e enfeites pelo corpo, entretanto certamente possui grande habilidade. Mas o que aconteceu? O aracnídeo parou na metade do trajeto, aparentemente dispensando o exercício de tecer para me observar por alguns instantes. Também lê pensamentos? Aranhazinha audaciosa! Mostro-lhe a língua e ela sobe exasperadamente sua teia até o orifício de origem, quer abrigo das anormalidades do mundo. Dou uma gargalhada enquanto agito o inseticida. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O déspota solitário de Tallinn

Sal