Eudaimonia Reversa


bebadocage


Que vá a merda esses teus conceitos Aristotélicos, filosofia do justo meio, ética ou virtudes que nascem no reto do dia e desaparecem na cona da noite. Estou bêbado, meu amor, não tenho paciência pra esse nosso pragmatismo romântico, frases de filmes do fim de semana e versos do Djavan. Perdão, vai ser hoje. Depressa que a vergonha não te alcança, amanhã finja que nunca antes havia me visto ou simule o fim do nosso caso de corpos suados. Desevoluo ao êxtase do estágio em que a língua perde a flexibilidade e a única coisa comovente são histórias ao pé do ouvido de crimes passionais e pescarias cômicas. “Tenho vocês, e, Amigos meus, eu lhes amo além da margem desse rio caudaloso, pois são profundos demais meus sentimentos e ainda não aprendi a nadar cachorrinho, não bóio, sou bobo e afogo simplesmente renascendo pinto molhado sempre com um novamente”. Vou dançar - desambiguação: mexer freneticamente meu corpo - tenha certeza que vou fazê-lo em qualquer estado de espírito ainda que eu chore ou sorria ao som da música. Estou só e nada existe além de mim que não me aceite ou desconheça toda poesia da minha ilicitude apaixonada pela vivência das vidas que ainda não vivi, danço. “Garçom, um violão e a canção composta no mundo que gira sem freio de mão, uma dose de cigarro aceso com duas pedras de gelo e um cinzeiro pro uísque!”. Vou cantar, subir no balcão e chutar os copos de cerveja de todos esses burgueses amontoados na disputa pelas vagas do estacionamento, nos sofás dos amassos, mulheres bonitas e a infelicidade em pacotes de presente azuis. Peguem seus inferninhos, sou um socialista e meu praxe tem cheiro de café passado. Nunca fui personagem de mim, ainda que eu quisesse não me aturaria na imaginação e no espelho, mas sei que conquisto dessa forma desentendida com dispêndio ilimitado de afeto, você até pode pensar que minha patologia é misoginia. Pensa errado. Sei que tudo isso vai terminar em um fiasco quando confessar aos berros que amo uma garota comprometida desde o colegial. Sim, demais, mundanice, carnal-carnaval. “Um balde, garçom!”. Preciso dormir. Valeta seca ou banho frio, Beto, Devir, Tônio, Marco, seja lá qual for o objeto do ódio ou do amor, um deles em mim contou a mentira. Take me home, please. Aqui é só corpo, ébrio não habitual que o diabo guia pra casa em que deus abriga, ambos pensam: tanto potencial esse garoto. Eu não decido e ficam tentando conquistar o território desconhecido do arbítrio desvirtuoso. Hein, Aristóteles?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O déspota solitário de Tallinn