Eu permaneço

jorge alfar
(Daquilo que justifica Saudade)
Que eu me faça em bronze e que de mim te tornes estátua de reverência à beleza infinita que resplandece em ti, não quero privar-me da tua presença sob circunstância alguma. Sinto tua falta. Sinto sem querer e minto que não. Quando vejo já estou imaginando o que nós ainda não fomos, qual lugar irias preferir...
- Sorvete com cobertura?
- Moço!
- Oi?!
- Com cobertura, o sorvete? (...)
Logo chego em casa, a cama me prende e eu me perco num caminhão de idiotices escritas inspiradas em anotações de espontaneidade dos meus dizeres mais sinceros. Como eu sou sem graça, penso e confirmam. Não tenho marteladas certeiras, entorto sempre os pregos. Faço o quê? Busco o novo pintado com velhas cores, assusto-me com as perdas que ainda não tive e passo o dia inteiro na janela engolindo gomos de choro.
Aí te manifestas. Sente saudade? Se lavar ela encolhe, é saudade de liquidação? Eu compro a tua. Como eu sou sem graça, não? Sentei no corredor, da forma que falei que costumava fazer, ele é sempre meio escuro, encolhi as pernas e permaneci. Eu permaneço. Sem graças.

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