Sem grilos de mim



Não peça pra Ganhar aquilo que você nem sabe se Compraria. Viu Flor, não posso ir de encontro às vontades que bem gostariam de serem libertas. E se eu não for nada do que você imagina? Essas moçoilas que me elogiam não sabem o que dizem, nem sequer descobriram como usar os lábios quando postos ao calor do outro. E também, o que você pensa? Como vou saber o que se passa por detrás destas lentes novas, o que você tem visto por ai? O que tem incitado sua libido?
Estive pensando, enquanto conversávamos de zodíaco: presente bom é aquele ideal, o que se encaixa no nosso molde consumista, que será usado até que o desgaste termine-o. Se não for assim é “lembrançinha”. Certo, também é interessante, a intenção é valorosa, mas chama-se assim pelo fato de ser algo permanentemente inútil, a menos que o desejo seja lembrar a pessoa que dera, ou, quando muito, do dia. Tudo na vida é assim, não é? Sua última paixão, por exemplo, foi uma lembrançinha, não um presente, senão estaria indo com você comprar pães de queijo depois do trabalho. Você entende? Eu não. É difícil entender ao passo que as coisas se tornam cada vez mais complexas. “As coisas” a que me refiro são os sentimentos e o ocultismo dos seus extremos, o convir ou não, o querer e poder ambíguos. Afeto comedido é uma invenção unicamente humana. Desumana, complemente.
Devo dizer, Flor, você nem cogita os picos de um Ser desordenado. Quando descobrir que o ar faz o fogo permanecer aceso, vai querer que ardam os corpos. São esses os instintos que perturbam as reflexões de seriedade. Pense. Não peça pra Ganhar aquilo que você nem sabe se Compraria. Você só pode amar o que eu sou pra você. "Eu pra você", é alguém diferente de mim.

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