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Mostrando postagens de Junho, 2009

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

(Vinícius de Moraes)

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Maria pensa: Ah, deixa. Deixa o que Maria? Deixe que me esqueça. Maria, só amanhã.

Dos deuses

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"Existem dois deuses. O deus que nossos professores nos ensinaram, e o Deus que nos ensina. O deus sobre o qual as pessoas costumam conversar, e o Deus que conversa conosco. O deus que aprendemos a temer, e o Deus que nosfala de misericórdia.
Existem dois deuses. O deus que está nas alturas,e o Deus que participa da nossa vida diária. O deus que nos cobra, e o Deus que perdoa nossas dívidas. O deus que ameaça com os castigos do inferno, e o Deus que nos mostra o melhor caminho.
Existem dois deuses. Um deus que nos esmaga com nossas culpas, e um Deus que nos liberta com Seu amor."

(“Maktub” - Paulo Coelho)

Deiny – vizinha de Anne

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É Deiny que chamo. Era o nome artístico de uma cantora brega que minha tia morena falsa era fã. Ficou esse, acho diferente, é... diferente sim. Como o nome, nunca fui a mais bonita, fui não. Não sei pra quem puxei. Eu era aquela que existia no meu cantinho permanente e receptivo da sala de aula, do escritório, da casa... Não era aquela que as outras garotas buscavam ser amigas, ou mesmo a que os garotos disputavam para estar na presença. Eu não era mulher de verdade, não, mulher tem presença. Minha professora havia dito que na época colonial as mulheres mais apessoadas e ricas tinham os dentes podres: açúcar era artigo de luxo. Usavam vestidos longos e com armações exageradas para que quando da necessidade pudessem agachar tanto quanto necessário e urinar, ou, defecar. Fiquei surpresa. Mas na minha vida não fazia diferença, pois não tenho dentes podres, e sou limpinha, agora a seleção social é macabra e impiedosa.
O fato que perturba, é que nunca tive um menino pra namorar. O máximo q…

Anne

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Odiava quando ele me olhava daquele jeito. Eu sabia que coisa boa não viria, minha mãe tinha o hábito de dizer que as mulheres conseguem saber das coisas até mesmo pelo olhar daqueles que se manifestam, nunca contestei: ela sempre soube mais do que demonstrara. Agora, enquanto ele se põe nesse exercício de passar as mãos no rosto e desvia o olhar vazio da minha direção, eu sei, vai acontecer tudo de novo. Tudo aquilo que eu preferia que jamais acontecesse. Sei como vai ser, dirá que nós precisamos conversar, que só quer a minha felicidade e que sou especial; mas e daí? Afinal, não importa. Todo sol que invadir meu quarto vai mostrar que a meu lado, ninguém fizera companhia. E se fosse verdade tudo aquilo que eu bem sei que ele vai dizer, não precisaria curar a magoa só. A gente poderia concertar, poderia. Tudo bem, eu sei que fui implicante, ciumenta, sei que cobrei demais algumas vezes, mas... Ai, pronto ele vai falar! Pegou a minha mão com uma expressão de consolo, alisou-a por ato d…