Das Riquezas


Sinto-me, hoje, diante de um prato exótico de um restaurante de luxo, analisando a probabilidade do manjar conter lesmas, antes de ingeri-las é claro. Sei que certamente é algo que vai além de uma massa destroçada com molho denso generosamente respingado de cores diversas e artisticamente enfeitado com folinhas de hortelã e uma casquinha de canela. Além disso, tem-se o garçom enrijecido, devido à vestimenta, servindo com falsa simpatia os freqüentadores que pretendem demonstrar o potencial do cartão de débito, degustar os sabores da adega requintada e conversar sobre coisa ou outra para que o silêncio não perturbe as verdades reprimidas. Sinto-me plebeu que encontrou tesouro, e, contudo, ainda não aprendeu se portar ante os requintes quase esdrúxulos de uma vida que jamais deve pertencer-lhe. A riqueza de um homem deve ser avaliada pelo brilho esperançoso que há nos seus olhos, pela ausência de auto-repreensão em seus atos, pelo sentimento que regra seus dizeres.

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