Ante-sono



O porteiro então esbravejou:
- Deixe-me trabalhar em paz se o andar que procura não é o mesmo que me encontro!
Colocou a cabeça entre os braços, apoiados sobre a mesa, e pôs-se a ensaiar um cochilo de descanso enquanto o homem de meia estatura ficava a olhar para os lados sentindo-se um mentecapto. Terno escuro, gravata bordô e olhos ríspidos deveriam impor um respeito prévio. “Homenzinho audacioso”, passa-lhe pela mente.
Enquanto apertava o botão do elevador para subir ao sexto andar...”

- Natanael, já dormiu meu filho? Viu, disse que ficaria cansado de tanto andar de bicicleta...
Sorri com o canto dos lábios, puxa a coberta até os ombros do menino, afaga sua cabeça e sai vagarosamente para não acordá-lo. "Faço panquecas pela manhã" - pensa descendo para a sala.


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