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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009

Adultério

Tomei água gelada, sedentoNos lábios da Madrugada.Fiquei, desde entãoTraidor, dolorido e culpado.O que você me diria, Se eu não conseguisse te dizerQue perdi a voz?

Ante-sono

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“O porteiro então esbravejou:
- Deixe-me trabalhar em paz se o andar que procura não é o mesmo que me encontro!
Colocou a cabeça entre os braços, apoiados sobre a mesa, e pôs-se a ensaiar um cochilo de descanso enquanto o homem de meia estatura ficava a olhar para os lados sentindo-se um mentecapto. Terno escuro, gravata bordô e olhos ríspidos deveriam impor um respeito prévio. “Homenzinho audacioso”, passa-lhe pela mente.
Enquanto apertava o botão do elevador para subir ao sexto andar...”

- Natanael, já dormiu meu filho? Viu, disse que ficaria cansado de tanto andar de bicicleta...
Sorri com o canto dos lábios, puxa a coberta até os ombros do menino, afaga sua cabeça e sai vagarosamente para não acordá-lo. "Faço panquecas pela manhã" - pensa descendo para a sala.

Hemodinâmica

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(ENTRADA EXCLUSIVA DE PACIENTES)

Estávamos sentados, um ao lado do outro, tia e sobrinho, nos bancos que suportam o desconforto do peso da espera por notícias de pacientes do Hospital de Clínicas. Era um daqueles dias em Porto Alegre de calor extremo que o relógio zela pela lentidão dos minutos. A todo instante saiam enfermeiros da sala de porta amarela, logo à frente, tremendamente climatizada, chamando por parentes de um ou outro indivíduo que sofrera intervenção, isso aumentava a angústia.
E ainda os Hospitais têm um cheiro característico de repugno imediato, mas que logo se torna habitual, a propósito, tempo não faltara para que me habituasse ao ambiente. Meu pai chegara às nove e trinta da manhã, às dezessete entrara na sala para o procedimento: colocação de um stent a fim de melhorar o fluxo e conseqüente desempenho cardíaco, já que suas safenas estavam ocluídas. Saíra somente às vinte e uma horas para voltar aos aposentos hospitalares, 767 A, enfim tudo acontecera maravilhosament…