Homens que sentem


Meu pai chorou. Nunca antes visto ou ouvido por mim, ele chorou feito menino perdido enquanto eu tentava acalentá-lo com uma voz quase envergonhadamente grave e doce. Poderia abraçá-lo sem maiores temores, sem a dureza masculina nos atos, mas a distância não tornava isso possível. Entretando, agora tem de ser esclarecido que homens também choram, despendem lágrimas de seus olhos de uma forma tão pura que tampouco se pode acreditar, choram como se estivessem dando o último suspiro de suas vidas, como se nada mais restasse de suas forças, como a implorar um retorno ao idealizado. Alguns homens, ainda, têm o chorar como uma garoa, quase como o orvalho, não pela abundância, mas pela fineza que transparece do fato tão bonito.

Entenda que existem momentos em que você não mais sabe qual atitude tomar, sente-se pressionado por todos que o rodeiam, como se seus atos fossem errados e como se o máximo do seu empenho fosse tão mínimo que justificasse então ser desprezado e maltratado, creio que assim ele sentia-se. A única saída possível, a oração, o mantra a ser entoado é o do balbucio de choramingo que se torna mais fácil na presença, ainda que parcial, de alguém que efetivamente nos ame. É o conforto do desespero.

Portanto, Homens choram! Pode-se acreditar nisso? Como seria maravilhoso se todas as crianças algum dia tivessem de dar o ombro a seus pais, se fosse quebrada aquela educação equivocada e machista de “homenzinho da casa”. Dêem o bálsamo da humanidade para que indiferentemente do sexo se possa saciar do sabor salgado e restaurador. Chora-se pela paixão, pela dor física, pela pressão psicológica e mais, chorar é um privilégio daqueles que são vulneráveis aos sentimentos mundanos que preenchem a existência.

Proponho-me sim, ser o paradeiro de ternura aos lacrimejantes, por amor a eles e a sua dor!



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