Fatalidade Inicial


Fato infeliz marcara a madrugada do primeiro para o segundo dia do ano de uma família Lajeadense. Por volta das onze horas um delinqüente adentrara nos domínios da residência e se escondera na varanda dos fundos que fica separada do restante da casa – onde estavam três pessoas - por uma porta, apenas.

Ante a invasão, constatada pela movimentação e barulhos, os moradores, atônitos, entram em contato com a polícia. Na ligação de urgência, reparem, de urgência, fora solicitado pela atendente primeiramente o nome, depois a localização e ainda um número do telefone, procedimento padrão à prevenção de trotes, suponho. Pensemos, entretanto, que o indivíduo estivesse no interior da moradia e por uma sorte extraordinariamente grande alguém conseguisse fazer essa ligação, certamente perderia de trinta a quarenta segundos passando seus dados com o risco de ser notada sua tentativa salvação. Ato falho da segurança.

Não era o caso. Os moradores contataram também os vizinhos próximos que breve solicitaram o auxílio de um guarda noturno que faz rondas na região. Obeso, suado, amedrontado e desarmado o dito “guarda” percorre a parte inferior da residência, nada encontrando e percebendo que já possuía apoio, encoraja-se, empunha sua lanterna de pilhas fracas e abre a porta enquanto um jovem de dezessete anos, morador, mantinha um facão a mão se necessário uso.

Até este momento, e muito menos após, nenhuma viatura prestara socorro. O meliante invasor não fora encontrado, provavelmente batera em retirada no momento que tomara percepção do tumulto que se armava para sua caçada. Ouviram-se ainda quatro disparos de arma de fogo, de algum vizinho, no intuito provável de afastar o mau feitor.

Cabe indagar a amplitude benéfica de um desarmamento completo da população. Qual a proteção que o cidadão possui quando nem a Polícia o atende? Preciso lembrar que este episódio feriu estatutos e constituições que garantem, além de educação, saúde e outros, o direito a segurança? Creio que não, creio também que acontecimentos desse gênero, até piores, são a realidade diária e continuada em cidades de maior porte. A grande questão, inclusive é essa, as cidades menores, do interior, estão atraindo cada vez mais o mercado do crime, e isso é: comercialização de drogas e armas, assaltos de bancos, carros fortes, lojas e residências, estupros e por aí entra uma lista de fatos que ficam sob o sigilo do bom senso e do ser conveniente com atrocidades.

Após poder participar da formação e complementação de políticas públicas para crianças e adolescentes, poderia questionar onde ocorrem os erros que continuam contribuindo para mais e mais adeptos do submundo. Família, vida periférica, fome e desejos reprimidos são fatores que a todo modo ganham o esforço e a atenção da população e dos órgãos especializados para não mais fomentarem a delinqüência. Tudo bem, não deve ser vão o investimento, mas ter de admitir que famílias estejam a mercê da boa vontade de criminosos, não é nenhum pouco saudável. Rendo-me ao pressagio de ver um Comandante de algum Batalhão esbravejando que seus subordinados fizeram pelos trâmites legais, afinal, deveriam estar descansando da grande festa do Novo ano.

A própria vida é uma aposta demasiadamente alta para ter esperança na Segurança Pública.


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