Passe e Contemple e Passe.



“Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação.”


(Aristóteles, in "Ética a Nicômaco")



Existem coisas que são belas exatamente pelo fato de serem passageiras. O pôr-do-sol ganha proporções de beleza exuberante, contudo pode ser admirado somente por alguns instantes, e, afinal, que monótono seria se durasse o dia inteiro. É preciso que aprendamos a apreciar com liberdade de espírito as coisas que não vão perdurar eternamente, essas coisas tão transitórias funcionam como revitalizadores dos dias já que conseguem nos transmitir sensações muito agradáveis. É na percepção dessas minúcias diárias que adquirimos sabedoria, perceber que a primavera, amante das flores, se finda, é preparar-se para todas as perdas inevitáveis que tão pouco ousamos cogitar. Os pais, o amor de uma vida, o pássaro ou o cachorro; passageiros!


No avançar dos anos aprendemos a olhar nos olhos da transitoriedade, aprendemos a interagir, a entregar-se. Raramente o aprendizado se faz sem dor, para tanto deveria haver uma harmonia que a muito é desconhecida pela maioria da população, especialmente depois de urbanizada maciçamente. Percebe-se que cada vez mais subjetivamos o Divino, buscamo-los de olhos fechados, inertes no mundo a nossa volta, como se precisássemos buscá-lo noutro lugar, numa morada apropriada. Nesse momento é que se insere o entendimento que Deus se manifesta e vive nas cores do mundo, no grão de areia, na folha seca da árvore, na metamorfose da borboleta, na aurora boreal, no comportamento humano, Ele está latente ali, nos transmitindo receitas de sobrevivência, bastaria que observássemos e refletíssemos, não precisariam semi filósofos, apenas você e a mensagem conjuntural. É uma oração contemplativa do aspecto físico do mundo.


Na realidade toda essa constatação é posta em prática de uma forma bem simples: a princípio devemos tirar um momento do dia para fazermos algo que realmente gostamos, Deus se alegra de nossa alegria, esse momento deve ser enfatizado com alguns segundos de silêncio consigo mesmo, respiração profunda e pura contemplação, o exercício de observar pela janela ou sentar-se na praça para sentir o vento na face. Isto não é viver num mundo feito por Deus, é ‘conviver’ com Deus. Independe de conceitos, de cultura ou qualquer outro fato: goze a vida!


Comentários

  1. Naquela bola difícil, onde nem voscê acredita, mas mira o taco, respira fundo, lança a força necessária e a bola de forma quase milagrosa entra caçapa a dentro, e aquele barulho dela rolando pelo interior da mesa de sinuca. Se todas as bolas fossem fáceis de se acertar, ou se acertássemos todas as bolas difíceis sempre, não teríamos aquele belo momento de alegria, euforia, orgulho, e por que não dizer, glória!
    Momentos passageiros, realmente são aqueles que nos proporcionam alegria. Salvo disposto em contrário, como é o caso da alegria eterna de viver o amor. E praqueles que acreditam em vida após a morte, ele pode perdurar para a vida além da terrena.
    O fato é que com sabedoria tu nos trás uma bela visão do que seja o Deus, da forma em que ele se manifesta. Poder contemplar o belo é uma dádiva que poucos sabem aproveitar. As vezes a beleza é tão surpreendente, tão exuberante. Obra de quem? Há uma explicação científica, há. Mas, como não ser o sol quebrando o mar azul em um final de tarde litorâneo um obra de Deus?
    O cético busca a prova de tamanha beleza, mas ela está na própria manifestação: Deus se apresenta ao nossos olhos diarimante. Cegos, muitas vezes não nos damo conta disso.

    Parabéns Tadeu. E obrigado por me proporcionar singular momento de reflexão.

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