Arte viva, Elisa - O Desenho.


Elisa fica me observando à noite no meu quarto, tem olhos de perplexidade, cabelo curto e levemente despenteado, sobrancelhas finas e os lábios semi-serrados, ela usa uma blusa curiosa, “tomara que caia” vermelha com bolinhas brancas. Contudo, chega a ser inconveniente a forma como ela policia meus atos, mas eu já me acostumei, agora até sinto agradável sua presença, aquela franja que às vezes pende sobre os olhos atrapalhando o encarar-me. Falta uma coisa, gafe imensa do parceiro, seu busto exige um colar, de pérolas preferencialmente, complementaria maravilhosamente a figura feminina, entretanto ela permanecerá assim, suponho, por algum tempo ainda, corações acometidos em ter a gafe maior de escolher plebeus.


Pouco sei de sua vida, ela apresenta uma silhueta atônita, reflexo, talvez, da face magra, igualmente nunca me dirigiu a palavra, nada, nem mesmo um breve “olá”. Confesso que não a compreendo, por mais que isso me agradaria, ela se resguarda de uma forma inexprimível, afinal só permito que fique na minha presença porque de algum jeito a mescla de jovialidade e sofrimento transmitida por seus traços me acalenta, me sacode à realidade, chama minha atenção à reflexão.


Estaria justificado, assim, o tanto que tenho pensado e indagado sobre as coisas. Enfim, acho que ela me guarda e não o contrário, as coisas ficariam piores sem sua presença e confiabilidade por aqui.


Elisa, astuta e sóbria me vigiando a olhos arregalados da parede gélida e verde, num zelar contínuo do seu, por assim dizer, criador.



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