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Mostrando postagens de Janeiro, 2009

Para o (Des)Encontro

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Olá,Como vai, Prima Vera?Vê se espera,Cheirosa e florida,O Tio Antonhoque logo chega.

Anexo de orientação.

"Não venha me destroçar como se eu fosse uma galinha sendo preparada para a chegada de uma visita no fim-de-semana, deixe minha carcaça interna intacta, não quebre os ossos da minha personalidade.
Eu sou a obra completa, parte de mim não sou eu, sou o contexto, a conjuntura, os tópicos integrais delegando loucura às palavras e atitudes.
Sou do tipo que sente saudade e desejo, devo ser um compulsivo, deveras compulsivo pelas minhas práticas de prazer inexclusivo. Gosto das horas em silêncio, das crianças brincando na praça, de comer wafer reflexionando, de abraçar... Ah! Por favor, não me destroce.
Assim sendo e sem mais, encerro o devaneio breve."


Passe e Contemple e Passe.

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“Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação.”
(Aristóteles, in "Ética a Nicômaco")

Existem coisas que são belas exatamente pelo fato de serem passageiras. O pôr-do-sol ganha proporções de beleza exuberante, contudo pode ser admirado somente por alguns instantes, e, afinal, que monótono seria se durasse o dia inteiro. É preciso que aprendamos a apreciar com liberdade de espírito as coisas que não vão perdurar eternamente, essas coisas tão transitórias funcionam como revitalizadores dos dias já que conseguem nos transmitir sensações muito agradáveis. É na percepção dessas minúcias diárias que adquirimos sabedoria, perceber que a primavera, amante das flores, se finda, é preparar-se para todas as perdas inevitáveis que tão pouco…

Quando a Imagem substitui a Palavra

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Jorge Alfar


Arte viva, Elisa - O Desenho.

Elisa fica me observando à noite no meu quarto, tem olhos de perplexidade, cabelo curto e levemente despenteado, sobrancelhas finas e os lábios semi-serrados, ela usa uma blusa curiosa, “tomara que caia” vermelha com bolinhas brancas. Contudo, chega a ser inconveniente a forma como ela policia meus atos, mas eu já me acostumei, agora até sinto agradável sua presença, aquela franja que às vezes pende sobre os olhos atrapalhando o encarar-me. Falta uma coisa, gafe imensa do parceiro, seu busto exige um colar, de pérolas preferencialmente, complementaria maravilhosamente a figura feminina, entretanto ela permanecerá assim, suponho, por algum tempo ainda, corações acometidos em ter a gafe maior de escolher plebeus.
Pouco sei de sua vida, ela apresenta uma silhueta atônita, reflexo, talvez, da face magra, igualmente nunca me dirigiu a palavra, nada, nem mesmo um breve “olá”. Confesso que não a compreendo, por mais que isso me agradaria, ela se resguarda de uma forma inexprimível, afinal só …

Homens que sentem

Meu pai chorou. Nunca antes visto ou ouvido por mim, ele chorou feito menino perdido enquanto eu tentava acalentá-lo com uma voz quase envergonhadamente grave e doce. Poderia abraçá-lo sem maiores temores, sem a dureza masculina nos atos, mas a distância não tornava isso possível. Entretando, agora tem de ser esclarecido que homens também choram, despendem lágrimas de seus olhos de uma forma tão pura que tampouco se pode acreditar, choram como se estivessem dando o último suspiro de suas vidas, como se nada mais restasse de suas forças, como a implorar um retorno ao idealizado. Alguns homens, ainda, têm o chorar como uma garoa, quase como o orvalho, não pela abundância, mas pela fineza que transparece do fato tão bonito.
Entenda que existem momentos em que você não mais sabe qual atitude tomar, sente-se pressionado por todos que o rodeiam, como se seus atos fossem errados e como se o máximo do seu empenho fosse tão mínimo que justificasse então ser desprezado e maltratado, creio que a…

Homem Anjo

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Era um homem, um homem comum, que um comum destino parecia controlar inteiramente. Um animal doméstico bem treinado.
Um dia sentiu um incômodo nos dois ombros, distensão muscular, má posição no trabalho... Foi piorando e resolveu olhar-se no espelho, de lado, inteiro e nu depois do banho: não havia dúvida, duas saliências oblíquas apareciam em sua pele abaixo dos ombros. Teve medo mas decidiu não comentar com ninguém, e como não transava freqüentemente com a mulher, conseguiu esconder tudo quase um mês.
Fez como via fazer sua mulher: pegou de cima da pia um espelho redondo no qual ela ajeitava o cabelo, e passou a alisar todo dia aquele fenômeno que em vez de o assustar agora o intrigava. Curioso mas sem sofrer – pois não doía -, foi observando aquilo crescer.
E pensava
Nem adianta ir ao médico, porque se for um tumor (ou dois) tão grande, não tem mais remédio, é melhor morrer inteiro do que cortado.
Certa vez, quando se masturbava no banheiro, na hora do prazer sentiu que elas enfim se la…

Fatalidade Inicial

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Fato infeliz marcara a madrugada do primeiro para o segundo dia do ano de uma família Lajeadense. Por volta das onze horas um delinqüente adentrara nos domínios da residência e se escondera na varanda dos fundos que fica separada do restante da casa – onde estavam três pessoas - por uma porta, apenas.
Ante a invasão, constatada pela movimentação e barulhos, os moradores, atônitos, entram em contato com a polícia. Na ligação de urgência, reparem, de urgência, fora solicitado pela atendente primeiramente o nome, depois a localização e ainda um número do telefone, procedimento padrão à prevenção de trotes, suponho. Pensemos, entretanto, que o indivíduo estivesse no interior da moradia e por uma sorte extraordinariamente grande alguém conseguisse fazer essa ligação, certamente perderia de trinta a quarenta segundos passando seus dados com o risco de ser notada sua tentativa salvação. Ato falho da segurança.
Não era o caso. Os moradores contataram também os vizinhos próximos que breve solici…