Da Despedida



(Orador do Terceiro Ano do Colégio Cenecista João Batista de Mello)

Alguém vai olhar pra vocês dia qualquer e vai lhes dizer que a vida, pois bem, a vida é feita de etapas, e que você deve viver de toda intensidade o presente momento, posto que o passado é sentença irrevogável, e o futuro, matéria completamente desconhecida.

Foram momentos... Tudo bem, mas e o que fazemos daqui por diante sem a presença mútua em nenhuma das manhãs que vão raiar, e onde haverá conversas filosóficas desconexas, pra onde vai o estudar no recreio o cantarolar da professora de história? Há uma palavra, que não se basta à conjuntura, mas a resume de certa forma: diz-se Cumplicidade, seriam aqueles que tomam parte, os co-responsáveis, e nós compartilhamos de todas as felicidades e tristezas, compartilhamos o êxito obtido em cada empreitada difícil, todos sempre dispostos ao apoio e atônitos pela felicidade coletiva, fomos cúmplices de todo o sentimento em todas as vivências e fora exatamente aí que construímos e firmamos os laços de maior valia.

Fiquei pensando se não seria ínfimo chamá-los amigos ante o carinho excepcional que lhes tenho, mas por fim percebi que todos já tentaram definições a respeito da amizade, até Platão tomou suas conclusões, talvez porque ela seja a essência da lealdade do respeito e da compaixão, por ser a responsável estrutural desse sentimento que completa os espaços vazios, então, me permito dizer que cada um de vocês, vocês ‘amigos’, tem, como eu, a vida profundamente marcada, e quando me ponho a olhá-los tenho das mais diversas recordações: a Paulinha e seus acessos de riso agudo ou o Gui contando uma piada, duas, antes do início de uma prova. Recordo-me exatamente das Cláudias sorridentes no canto direito da sala do Cris gabaritando as provas ou mesmo do Marcelo aproveitando o tempo por além do máximo de tempo, o Dani suas gírias inovadoras e “sua” carteira de motorista, e o Luan, que literalmente crescera em nossa companhia enquanto se genializava nas ciências exatas, o Carlinhos com suas pernas cruzadas na primeira classe da fileira da parede, e a Bárbara, a outra Claudia, e a Kati, a Lilian, o Hélder e a Fabi e todos fazendo cada dia ser diferente e mais interessante do que o anterior. É, há alguma história pra ser contada, pensem que nós tivemos a oportunidade única de aprender com visitantes de outros planetas, sua cultura e dialeto, também tivemos perdas ao longo destes três anos, pessoas com traçados de caminho distintos, contudo sempre houve vitórias, tais como as Olimpíadas da Univates carimbadas pela marca do Mellinho.

Pois é, mas tudo isso não estaria ao alcance de nossas mãos se não fosse pelo trabalho dos guardiões do conhecimento. Toda imagem real é invertida, Castro Alves não escrevia somente sobre escravidão, o conjugado de a+bi e o volume do cone inscrito em um cubo, o metil-pentano-diol, a República Oligárquica e governos Populistas, a Serra da Mantiqueira, a ênclise, próclise e mesóclise.

Professores, é chegada sua hora, responsáveis diretos no sucesso obtido pelos alunos, cabe a este terceiro ano homenageá-los e agradecê-los de todo o coração, pois sabemos sim, que perderam os fins-de-semana e alongaram as noites corrigindo provas e preparando aulas, vejo em vocês os adolescentes ciosos de mudar o mundo, e penso, sinceramente, que é o que realizam pelas mãos e mentes de seus alunos formados. Cristina, Leine, Fábio, Maria Claudete, Márcia Dexheimer, Roberto, Liana, Márcia Sfair, Pacheco, nossa Professora Conselheira Claudete Ruschel e nossa Paraninfa Silvane Delavald, e a equipe diretiva, somos imensamente gratos a todos vocês.

E Enfim, tudo termina hoje, não é? Termina aqui nesse palco, essa é a última página dessa história. Olhemos pra trás a fim de que constatemos nosso crescimento, a maturidade adquirida, constatação nada complicada, ousaria, sem medo algum, dizer-lhes que daqui sairão grandes nomes, médicos respeitados, farmacêuticas éticas, designers de grande criatividade, administradores de excelência, estão aí sentados profissionais dos mais diversos âmbitos de atuação, responsáveis pelo futuro profícuo que certamente virá.

E em todo esse período que estamos juntos, não raro ouvimos que fomos o melhor terceiro ano de tempos e que os três anos do nível médio foram uma peneira seletiva que salvou os mais comprometidos e empenhados. Essa turma, nós, aprendemos a nos inconformar com as situações que desagradassem, aprendemos a lutar, e mais do que isso, aprendemos a negociar pelas coisas que acreditávamos ou julgávamos necessário, tínhamos uma postura ideológica, uma meta, nós tomamos a liderança e fizemos campanhas sociais, demos um grito de coragem pra sair do ambiente escolar e levar nossas ações ao conhecimento de todos.

Daqui por diante não façamos diferente, sejamos audaciosos, inovadores, tenhamos atitude e afinco, e se por ventura não mais nos encontrarmos aconselho que sonhem, e sonhem sem temor, que se permitam, acreditem que vocês podem ir além do que imaginam. Dêem alegria a cada dia de suas vidas, trabalhem naquilo que lhes de prazer, concluam o ensino superior também, comprem um caro ou uma moto, formem família, fiquem ricos e saudáveis e quando conseguirem tudo, exatamente tudo que desejarem, sonhem, e sonhem sem temor novamente, pois este será o alimento da alma de vocês a cada dia que está por vir, é na peleja que vai brilhar a jovialidade e o rubor indicativo da disposição infinda. É o que Teddy, um amigo especial lhes deseja.

Sigamos em frente, nossa presença vai rondar as paredes dessa escola na lembrança daqueles que nos conheceram, agora, esse terceiro ano se despede.


Colegas, amigos; Eu amo vocês. Vou sentir saudades. Obrigado.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O déspota solitário de Tallinn

Historicamente Nú.