O Sacrifício Confuso





Não faço a mínima idéia do que estou fazendo

É uma aposta cega, salgada e fisiologicamente perfeita.
Jogo pelo impulso, pela crença, pela falta de opção
Cedendo à manipulação do destino pelo alheio.

Completamente perdido no espaço construído
Sem idéia de correr, furtar a comodidade ou fugir do ilusório.
Sinto-me como uma bananeira Latina carregada
Sendo cortada ao meio por um objeto curvilíneo
Para suprir as necessidades de um povo superior.

Até o último momento insisto nesse posicionamento:
A instabilidade maléfica e juvenil para com os meios de sentimento.
Eu não escolho nem incito minha massa cinzenta a queimar em idéias
Eu permaneço como o sol escaldante de fevereiro nas costas do pintor.
Chuto com recalco a pedrinha corajosa que atravessa meu caminho
Sou de todo abstinência de ação, imóvel, tácito.

Anuncio que, se eu danço conforme a música, só posso estar manco
Pra cair estrunchado e tonto lambendo o chão empoeirado
Ou talvez esteja surdo pr’este compassado tango argentino
Falta-me jogo de quadril, os ombros não se mexem devidamente
Não tenho paletó marrom nem o cabelo com a lambida ideal.

A desordem dessa falta de atitude invade meus minutos
Sou uma cozinha asquerosa infestada de insetos que se saciam da putrefação
Dependurei o avental, os pratos ficam empilhados junto aos talheres das refeições
Quando Eu da sanidade acordar, movimentar-se-á por dois passos
E lançará forte, tenebrosa e impiedosamente o seu pé direito
Sobre a primeira Baratinosa que avistar. Cléct!
Fica aquele suposto líquido visceral branco e gosmento
Como atestado da renovação à pureza, iniciada pelo sacrifício do inocente pelo justo.


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