Sair pelo mundo vendendo Canivete



“Ele trabalhava em carvoarias, ao menos foi o que eu pude entender nas vezes que tocaram neste assunto, ainda contam que certa vez dentro de um daqueles fornos enegrecidos ele encontrara uma imagem da Nossa Senhora, era pequena e mal se distinguia do carvão. Mas a questão é que ele era devoto da mesma, e era de toda bondade e pureza, fugia da postura de ímpio e exaltava sua liberdade n’alma. Minha mãe conta que o sonho dele era pegar uma mala, uma garrafa de cachaça e sair pelo mundo vendendo canivete... Velho Menino doido!

Não me faltam relatos das vezes que ele era resgatado do boteco pelos seus filhos ou encontrado no dia seguinte em valetas da estrada, com a água da chuva quase afogando-o. Creio que este tinha uma ciência compilada e exata do ser PASSAGEIRO, conseguia conhecimento e interpretações anormais dos acontecimentos mundanos, tinha o Dom de estabelecer uma ligação tão forte com o “andar de cima”, que aqueles que tiveram a honra de sua reza sobreviveram as mais adversas situações mórbidas.

Dizem-me parecido com ele, mas acho que não, suponho que tampouco pôde me pegar nos braços e ver meus olhos de neto. Sei que seu desejo era ir-se na data de comemoração daquela que era devoto. E, saibam, assim foi.

Na verdade ele era uma criança, simples assim, menino travesso!

Meu vovô Beto.”


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