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Mostrando postagens de Outubro, 2008

Malsoante

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Ah, se eu soubesseA frase certa pra sair do céuInvisível a DeusNo disfarce adonado de Adão.Se me contassemAs dezenas exatas Da loteria federalBolinhas pré conhecidas Pela sinonímia vagabundiceDo Sortudo perdido.Conhecimentos essenciaisDispensados pela Causa NobreOu mortificados no sentimento da culpa.Mas, ainda se eu encontrasse,Simples assim, diria,A FelicidadeEm meio à alfaceDo almoço de SábadoTudo, pois, Seria para mim umPirim-pim-pim!Mágica resoluta às complexidadesDo meu mundanismo maldoso Exclusivamente
Teorizado e aparente.

Da Raiva

"Meu coração adora bater forte. Normal, hemoglobina a mais pra todos os órgãos exasperados e nervosos contraidos da raiva adstringentes calados. Preciso exercitar correr demasio flexionar os braços suar espasmos de adrenalina para que a calma enfim me alcance na corrida do dia. Não se atrase, preciso segurar esse desejo estrondoso de animalizar!"

Da Luz e Solidão

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(Sua vida é sua Estória)

Estávamos eu e ele no banco de trás do carro, sentados um ao lado do outro. A hora já era avançada, o céu da noite era mais cinza do que propriamente negro, não havia Lua tampouco estrelas, o que havia era uma quinta-feira gelada e um carro levando as pessoas para suas casas após uma janta política de esquerdistas. Naquele momento o automóvel estava estacionado bem no meio de um morro acentuado, os corpos ficavam inclinados para trás o que de certa forma permitia que nos ajeitássemos mais confortavelmente. Ele se chamava Feu, ou pelo menos foi assim que todos os outros chamaram-no, eu era o Tadeu, acho que ele não sabia disso e certamente nem passara pela sua mente guardar o nome deste jovenzinho que pouco acrescentaria à sua vida, por fim, chamava-me mesmo de Mano, é, Mano. Ele tinha uma face serena e triste, uma barba levemente crescida e esbranquiçada tal qual os cabelos que restavam na sua cabeça, usava um avental branco, pois fora o cozinheiro de um carret…

Sair pelo mundo vendendo Canivete

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“Ele trabalhava em carvoarias, ao menos foi o que eu pude entender nas vezes que tocaram neste assunto, ainda contam que certa vez dentro de um daqueles fornos enegrecidos ele encontrara uma imagem da Nossa Senhora, era pequena e mal se distinguia do carvão. Mas a questão é que ele era devoto da mesma, e era de toda bondade e pureza, fugia da postura de ímpio e exaltava sua liberdade n’alma. Minha mãe conta que o sonho dele era pegar uma mala, uma garrafa de cachaça e sair pelo mundo vendendo canivete... Velho Menino doido! Não me faltam relatos das vezes que ele era resgatado do boteco pelos seus filhos ou encontrado no dia seguinte em valetas da estrada, com a água da chuva quase afogando-o. Creio que este tinha uma ciência compilada e exata do ser PASSAGEIRO, conseguia conhecimento e interpretações anormais dos acontecimentos mundanos, tinha o Dom de estabelecer uma ligação tão forte com o “andar de cima”, que aqueles que tiveram a honra de sua reza sobreviveram as mais adversas si…

Estilhaço de Mim

Quem é este, Imagem,
Além daquele protótipo enfurecido,
Ignóbil e estapafúrdio
A distribuir o sorriso enferrujado?

Já desgastara suas técnicas
De simpatia e persuasão
Hoje, perdera aquele ‘ânimo’
E toda Imagem é tão falsa
Que se perde na ínfima baforada
dos lábios
Ou no banho quente do banheiro verde
Por detrás da cortina de fumaça.

Se esvai com tamanha facilidade,
Que não poderia protagonizar
Base para conceito.
Eu, material palpável
Sou objeto refletido ao inverso
Retorcido, revirado
Centenas de vezes
Nos olhos apurados
Que me buscam
Numa imitação desfocada.

Quem é este?
Tem olhos brilhantes e fugidios
Cabelos emaranhados.
Mas escapa da mão,
Perco o controle,
Espatifa-se, o espelho!
Quem são estes
Senão a mentira multiplicada
Por cacos de vezes?


Breathe

(Respirar)

Meu amor, chove por aqui. Talvez ai onde você esteja, a duzentos metros de mim, tenha uma lua exuberante no céu a espera do silêncio de observação dos enamorados. Mas a questão é que aqui as gotículas despencam em gritos cortantes, aqui os trovões são desafiadores e os raios caem centenas de vezes milimetricamente num mesmo ponto, bem próximo do meu coração.. Meu amor, fechei-o, na verdade tranquei-o com uma armadura férrica pois senão desmanchar-se-ia com as rajadas de vento frias que me colocam trêmulo por aqui, sei que não desejas isto de forma alguma, mas não tive escolha. Quando me põem no âmbito da guerra eu não fujo, mas tampouco posso guerrear de todo ser, eu não posso magoar meu ofensor, eu não posso contestar seu esforço por mim, ele me fere com a mesma espada que me protege. Eu sou insano liberto, canarinho de gaiola que canta, sou alvo da cobiça à exclusividade inalcançável. Pobre de mim, mas não tenha pena, tenha é força no chute que você vai desferir no meu est…

Greenpeace

Recentemente a Organização não Governamental Greenpeace, seção Mexicana, lançou dicas, ou mandamentos, para o Sexo Ecológico. Curioso, não? O site que trata do assunto foi um dos mais acessados, mais curiosa ainda é a indicação textual “Cuidar da terra nunca foi tão erótico” e o que torna o fato ambíguo à realidade, diga-se de passagem, é o momento em que decaiu o fervor ambiental já que muitos resolveram questionar as verdades apocalípticas de maneira fundamentada, dizendo que muito não passara de sensacionalismo.Assim mesmo ai vão alguns tópicos da ampliação ao erótico da Organização:
- A primeira orientação do sexo ecológico sugere aos amantes a apagar as luzes como uma forma de economizar energia. "É possível começar uma revolução energética da sua cama", diz o texto;- A segunda faz indicação para o consumo de alimentos afrodisíacos, frutas especificamente, com procedência orgânica e livres de pesticidas;- O uso de lubrificantes íntimos é abordado na quinta orientação, qu…

Poema da Infância

(conta minha mãe que eu chegava até a presença de estranhos ou visitas e cumprimentava-os com minha saudação meninesca.)


"Um Late
Dois Late
Um
Pepino, e
Dois
Tomates"



Festeje a Vida

Eu estava de passagem naquela escola, algum assunto de praxe pra ser concluído, creio, quando a cozinheira colega de minha mãe me chamara pra que eu escrevesse uma homenagem, simples assim, assim do nada. Pois bem, deveria estar pronta dali a vinte minutos, deveria ser breve para ser lida em um culto e também fazer menção a força Divina que cura pleno um câncer. Eu o fiz, e pude assistir no noticiário uma rua ser fechada para suprir o espaço do bolo que perdia-se da vista...

“Há, sem duvida, alguma força inigualável que conforta e cura, força esta que se manifesta nos corações daqueles que crêem em uma bondade infinita. Se houver a duvida, Deus trará a certeza, se houver as trevas, nascerá então a luz, e não a nada que não possa ser feito pela sabedoria sem fim.

A mais ou menos cinco anos uma mulher descobrira um problema de saúde, diga-se de passagem, nenhum pouco simples, uma maleficidade mórbida. Poderia ela ter desnorteado-se em desespero, esquecido o dom do amor que glorificava sua…