Linha Sítio (CEBS - vez primeira)


Sob o rochedo, observo reflexivo o todo ao meu redor. Debaixo de onde estou, pode-se ver uma estrada de terra vermelha, que no raro passar de um automóvel levanta avantajada cortina de poeira. Logo à frente, extensas planícies onde alguns animais põem-se vagarosamente a pastar, desconsidero suas limitações intelectuais. Penso por hora que talvez sejam mais inteligentes que nós, parece-me que estão cientes de seus prováveis destinos: o matadouro, por isso vivem calma e prazerosamente cada instante que ainda lhes resta.

Vai deslizante meu olhar curioso, observo que a planície mais próxima da estrada fora recentemente arada, há a sua esquerda uma casinha de madeira de um verde um pouco mais claro que o das folhas das árvores, é um tom enjoativo que provoca um leve desconforto. Um pouco mais e já se vê a igreja, silenciosa em seu badalar de sinos, talvez se harmonizando com o meio, ou, consentindo aos pecadores o esquecimento momentâneo de seus dogmas sufocantes e incondizentes com o tempo atual.

Dando alguns passos na direção do sol nascente, cambaleante a desviar dos pedregulhos, encontro o “templo dos corpos que libertam sua alma”. Por hora lembro de meu avô, de sua face que jamais vi, das histórias de aconselhamento e pescaria que tal qualificativo permitiria a me prestar.. Mas hoje ele é residente lá além das planícies, naquelas montanhas encobertas por densa neblina, em lugar qualquer que não se pode ver ou ter certeza que exista.

Enfim, olhe onde estou agora, com dizia o poeta: “vida louca vida”, a máxima! E eu apenas forasteiro neste chão interiorano, acompanhado do mundo e de ninguém, mas é tão familiar o aroma que há no ar e a vivência que se faz; talvez sentir-me-ia assim em todo canto que pusesse-me a contemplar.

Pois bem, dia qualquer eu volto falando espanhol fluente para conversar com alemãs.

Que sopre o vento frio matutino à observação Reflexiva.

(junho de 2007)


Comentários

  1. Lindo Tadeu! você escreve muito bem, e nossa, gostei da forma que consegue enchergar as coisas além do que elas são, se todos enchergassem o mundo so pelo que seus olhos lhes mostram. nao existiria nada do que faz a vida valer a pena :D

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