Dia de Capitão Rodrigo


Sabes tu, aqueles dias de moleza, quando o ar paira pesado e frio no teu redor, e sentes o corpo atiçado ao chão por gravidade superior a de Marte? Assim sinto-me hoje, burlando as leis do bom animo. Recém começara a chover, fiz um escuro artificial, abri a braguilha e resolvi – para ir contra a monotonia das horas – escrever isto, antes, até tentei fazer alguns downloads, mas não obtive muito êxito.
Receio que hoje seja um dia perfeito aos vagabundos alegres e cafajestes de violão desafinado, às laranjas podres do quintal e especialmente ao pé de limão que quebrara ao meio e fora mal podado no “ajeite” de pouca força destes meus braços, limitados a utilizar somente o suficiente para baixar as letras do teclado “Black”, e acariciar a lisa pele feminil, por um momento cogitei a hipótese de talvez o serrote ser preguiçoso já que o facão (dentuço) conseguiu solver facilmente a problemática; enfim, coisas de jardim..
A noite vem entrando pela janela, abri-a a pouco para escutar melhor o som da chuva nas folhas esverdeadas aos vários tons, nem precisa muito esforço para também o deleite da visão, é virar a face para esquerda e me deparo ao longe com um ipê vermelho florido, avançando ao inverso tem-se a casa do vizinho restaurador de móveis, um mato aberto (sem as boas utilidades), dois pés de manga que não dão frutos, e quase adentrando sem licença no meu quartinho três por três, ficam as flores pequenas e brancas da bergamoteira. Mas não te assustes, não vou dizer que crio porcos, nem vacas leiteiras, o que, aliás, seria uma boa idéia, mas não o faço, apesar de sentir-me como real interiorano. Entretanto, aconselho, por hora, deixemos de devaneios, esta semana saio a procura de emprego, então que faça sol e sorriso, sanidade, diga-me você.
Há vários dias, desde que comecei encontrar flores da saída do portão da casa até a entrada do portão da escola, comecei a pensar na primavera que se aproxima e o setembro que lhe acompanha. Vinte e sete é meu numero da sorte.

Este texto fora pausado por meia hora, agora tudo é escuro e não há pipocas na vasilha de plástico, esqueci o rumo textual que pretendia, as nuvens se chocam com força dando um som estrondoso, um alarme de carro dispara, e eu estou sob controle com minhas estratégias de médio alcance..

Por fim amigo, sem boemias se sem automóvel, mas a casa, minha morada, também precisa de reformas, o mundo inteiro, minha morada, precisa de reformas, e todo dia quando acordo penso na fome da África que faz com que diariamente morram crianças, e penso se é certo dar moedas ao menino na frente da Suíça, se não é melhor perder as esperanças vez por todas com a política, se o aquecimento global é ou não barreira criada contra o desenvolvimento dos subdesenvolvidos, indago até onde vai meu direito de critica, como eu poderia mudar tudo isso e que mísero gigante ser humano sou eu.. mas outro dia eu vou dormir da mesma forma, e acordo um pouco mais barbado sem entender coisa alguma, ignoro isso para não ter de escrever sobre as impressões do interior da Casa Verde. Preciso comprar um terno.

Deixe o tempo, deixe o vento e deixe a Ana na sua sepultura, quando ela chorou e pariu não sabia que eu algum dia lhe citaria.
(O dia não é mais tão moroso..)

Baile no morro,
hoje quero funck,

só um gritinho.

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