Tudo permanece na matéria Inacabada



(Parece tese Filosófica)

Nada falece em mim, crio apenas um hábito de sensação, tudo se torna por fim um ato comum. Nada falece em mim, nem as folhas que caíram ontem no meu jardim, nem os frutos que neste fim de tarde foram saboreados, ou mesmo o aviãozinho de papel que eu arremessei pro amanhã.. Eu nada suponho a respeito das tuas duvidas e minhas certezas, todas minhas verdades foram guardadas aos “olhos de quem quiser ouvir”, tão exatas quanto foram expressas aqui.
Avançadas horas, compromissadas pessoas, não há ninguém para eu falar, e poucos me poupariam da lembrança dos “consensos sociais”, dos joguetes relacionais. Queria conversar com uma banda de fantasmas, com o som de um rock balada americano, queria dormir de cueca sem acordar com dor de garganta..
E amanhã é dia de shinsokan, o texto que hoje nasce logo será dispersão de dizeres, não pode haver espaço para segundos tristonhos em rostos sorridentes, amanhã vou descobrir novamente as dimensões do mundo fenomênico e aos poucos você vai se convencendo que realmente eu sou um tanto quanto “estranho”, a tempos descobriste (e talvez ainda não percebeste) que “teus olhos não contemplam todas as gotículas de um oceano”..
Falemos de calçados, objeto curioso não? Preciso de um, e curioso é optar pelo seu preço, ou deveria dizer que é tosco, custo acreditar que possam cobrar tanto por um par de tênis minimamente confortável, é adereço certo?
Engraçado, sempre faço isso, não é!? Mesclar ditos confessionais com observações supérfluas, poderia ser chamado “tênue”, tem o objetivo de deixar tudo mais leve e menos grave, um desfoque proposicional aos olhos de um leitor conhecido..
Mas enfim sabeis, nada falece em mim, tudo permanece na matéria inacabada, na eterna busca complementar, e é por isso que estou ali, estou aqui e onde mais posso estar, por isso ainda não aprendi a ler ou escrever e nem sei caminhar, sou apenas um metro e setenta e seis com a noção de sua pequenez. Quando me colocaram diante de estrelas artificiais me senti encenando o ciclo de vida de uma árvore, e eu estava semente.
Por hora não memorizei meu cadastro físico, nem creio que eu tenha um número de cadastro espiritual, ainda não pude prever o futuro e tão pouco consigo pular o muro da vizinha com os olhos vendados, percurso de descobertas, porque superação assusta..
Eu ontem fiquei pensando, será que meu coração ainda tem pilha, já teve de ser operado em alguma relojoaria, será que ainda pulsa com o calor da pele?
Adoro ver o vento, o vento, mas e pode-se vê-lo? Não, acho que não, eu vejo as fitas azuis que se põe num flutuar estranho e os galhos do topo que apagam o que fora escrito nas nuvens de nimbos, mas nada além disso..o vento..

“Ficou pra... Laranjeiras”.


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