Lunário


Nem sei pr’onde vou
Aqui, ali, lá,
Não sei...
Fazer ritual
Ritual? Senhor nosso!
Então melhor pegar algo pra comer
Que logo vamo-nos.
Mas Sabe,
Percebi que sorriem demasiado
Face da alegria que não se permitiram em anos
E
chegam num festejo de gritos
E despedem-se da mesma forma
Acho que, Liberdade...
Pois sim, é belo.
Sentaram próximas do meu estreito acento
No ônibus sacolejante
Duas mais com hábil manuseio de cordas
Por fim acabamos conversando a respeito da gaita de boca..
Acredite, enfim
Chega-se na pureza atmosférica
A incomunicabilidade é o preço,
Observe a água, filete em pequena cachoeira
As pedras, que se evaginam perigosas
Folhas, flores, frutos..
Lua Cheia!
A de maio, dizem ser o permear energético mais intenso
Tem-se também o admirar mais profundo já feito:
Pra ela dançou-se ciranda
Purificados foram todos, “podem gemer” diziam elas
E não era ato profano como sugere
Era transporte energético,
Sentindo-se apenas para compreender.
Pulemos alguns fatos
Até o momento de estar na sala
Pedem, “e a ti, o que mais chamou atenção no poema?”
“mulher-canto, mulher-encanto, vôo, sonho e utopia”, disse eu
E ainda, não perdem elas a oportunidade:
“o lugar do homem é onde neste vôo feminil?”
“ao lado da mulher”, respondo
Animam-se e aplaudem,
(ao intruso do sexo oposto)
“será um grande homem”,
complementa logo a outra:
“é, um grande homem!”
então sorrio ao elogio.
Mas,
embora!
Voz não há mais
Corpo fatigado
Entro no locomoção
E a noite já respira profundo
Colo a cabeça no vidro e vou olhando
Longe, muito longe..
Percebo, não penso!
Não repenso!
Vivo, diferente sempre..
Sou este protótipo humano de único amor
Aquele que pega momentos
Coloca na mente que liquidifica
E faz um bolo, fofo e curioso
Como este.
E assim, cada vez mais distante..

Quero mais!
Quero mais!
Quero mais!
ora essa, pois então vá!
Pra onde?

*manteiga - substância gordurosa e alimentícia que se obtém batendo a nata do leite*

‘™

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