Abra (abril) uma janela, tem um precipício sob ela.




Agora cuspa!
Cuspa fora esse recalco, ciúme doentio
Ensaboa a atmosfera fétida e gordurosa
Limpa todo esse contexto desalinhado,
Molhe os lábios..
O coração parou, mas a música não
O corpo ainda acompanha num dançar contorcido.
Daqui a pouco eu vou lá fora conhecer quem já conhecia
Indago porque sabem meu nome, porque devo lembrar dos seus?
Será que tudo termina descendo uma rampa, a cantar “Ana Julia”?

Tem gosto de comida natural
No sentido pornográfico da frase,
(Pois homens de terno são os que mais falam bobagens
Suas bocas ricas e mentecaptas são o despejar puro de coliformes fecais verbais)
E ainda tem sementes de gegerlim como uma espécie de cobertura,
Deve ser uma massa de pão, com o complementar da cevada.
E já que citamos a comida, no sentido de sentir
felizes devem ser as papilas gustativas
Sempre a apreciar aquilo para que nasceram
Um viver metódico, monótono e sem aventura
A não ser que a língua venha a ganhar uma mordida de bocas familiares,
Ou não.
Posso dizer, ainda assim, que valeu a pena,
Descobri por fim,
que não gosto só de pêra.

Mas agora retroceda quatro horas
E me veja fazendo um trabalho do Estudo da vida,
Pra depois ir descobrir
O quão bom é um banho com chuveiro novo,
E até tento ficar menos feio e mais cheiroso..
Depois de tempos pego o celular de novo,
Emprestado, já que as cédulas fogem de mim
E eu não penduro uma espingarda atrás da porta,
Como meu pai, aliás
Será que vamos acampar?

Vem!
Vou!
Deixa a noite vir!
Docinha... Devagar...
Tal qual o exercitar tântrico dos prazeres carnais
Como o sono infantil à cantiga de ninar...
Ali! Vê?
Um desbravador do horizonte enegrecido,
Nasce nesse manto que faz o céu de nuvens
Sufocante à Lua e às estrelas,
Protagonista das burrices nem tão alcoolizadas da peça teatral:
“Picos da Solidão. A lei do menor esforço”,
Observa o amigo constante no idolatrar da privada
A Igreja de todos os bêbados
Como dizia um poeta viciado..

Vem!
Vou!
Deixa a noite ir!
Adiante quatro horas,
Minha cama é a morada do meu corpo fatigado
A vida me ENDOIDA, minha paixão também.
Da página 38 a 51,
Descubra a geografia do único mundo que devias compartilhar..

Agora Cuspa!
E agasalha-te,
Pois faz frio.

‘™

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